Itália

Uma vida inteira na prisão por matarem polícia à facada em Roma

Uma vida inteira na prisão por matarem polícia à facada em Roma

Os estudantes norte-americanos Finnegan Lee Elder, de 21 anos, e Gabriel Natale-Hjorth, de 20, foram condenados a prisão perpétua pelo homicídio do polícia italiano Mario Cerciello Rega, de 35, com uma faca, numa rua no centro de Roma, em julho de 2019.

Mario tinha acabado de voltar ao trabalho após a lua-de-mel, naquele dia de verão em 2019. Ele e o colega Andrea Varriale foram chamados a investigar o roubo de uma bolsa. Ambos à paisana e sem as armas de serviço confrontaram os dois suspeitos numa rua do bairro de Prati, no centro de Roma. Mario foi esfaqueado 11 vezes e morreu. Andrea ficou ferido.

Os dois suspeitos eram Finnegan Lee Elder e Gabriel Natale-Hjorth, estudantes norte-americanos. Gabriel estava a visitar familiares italianos perto de Roma quando se encontrou com Finnegan, um ex-colega de escola de São Francisco que estava a viajar pela Europa, em 26 de julho de 2019.

No início da noite, os jovens contactaram um intermediário para comprar cocaína em Trastevere, uma área popular de diversão noturna. O homem levou-os a um traficante, que cobrou 80 euros por "cocaína" que era, na verdade, aspirina.

Em retaliação, Gabriel e Finnegan roubaram a bolsa do intermediário, que continha o seu telemóvel, e fugiram. Depois exigiram um resgate em dinheiro e cocaína para devolver a bolsa.

O intermediário combinou um encontro com os jovens no bairro de Prati. Mas também havia entrado em contacto com a polícia para denunciar o roubo e os dois agentes, Mario e Andrea, foram ao local. Foi quando tudo aconteceu.

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Finnegan tinha viajado para Itália com uma faca de combate de 18 centímetros. Ele e Gabriel disseram que confundiram os polícias com os criminosos que estariam atrás deles e que agiram em legítima defesa.

Os estudantes fugiram do local e no dia seguinte foram localizados num hotel, onde a polícia encontrou a faca usada para matar Mario Cerciello Rega. Finnegan admitiu ter esfaqueado o polícia várias vezes, mas tentou justificar que ele e o amigo foram confrontados repentinamente pelos homens, que pensaram ser traficantes de droga. O polícia Andrea Varriale testemunhou que ele e o colega abordaram os jovens na rua de frente a frente e mostraram os crachás, embora o de Mario nunca tenha sido encontrado.

Prisão perpétua por um "ataque desproporcional e mortal"

Depois de quase 13 horas de deliberação, a juiz italiana Marina Finiti condenou Finnegan e Gabriel a prisão perpétua pelo assassinato de Mario Cerciello Rega.

A procuradora Maria Sabina Calabretta afirmou que Mario foi morto num "ataque desproporcional e mortal" e pediu que os dois jovens recebessem sentenças de prisão perpétua.

"A prisão perpétua não é um troféu para ser exibido, mas uma pena justa... perante factos tão trágicos, ninguém ganha e ninguém perde", disse a procuradora, citada pelo jornal "The Guardian", na refutação aos argumentos da defesa no final de abril.

Calabretta rejeitou os argumentos da defesa de que o medo constante de Finnegan de um ataque, resultado de um historial de problemas psiquiátricos, o levou a matar o polícia após confundi-lo e ao colega como criminosos.

Finnegan ficou surpreendido quando o veredicto foi lido na noite de quarta-feira. Durante uma breve comparência ao tribunal, o jovem norte-americano disse ao advogado que estava "stressado", antes de beijar um crucifixo que usa ao pescoço e apontá-lo para o céu. Os pais de Finnegan estavam no tribunal, assim como o tio de Gabriel.

A viúva de Mario, Rosa Maria Esilio, começou a chorar no tribunal depois de ouvir a sentença. "Apesar de haver um morto que merece toda a pena, o facto de duas pessoas irem para a prisão não é motivo de alegria de ninguém. São seres humanos que, embora mereçam punições, também sofrem", lamentou Franco Coppi, advogado da viúva, em declarações à televisão italiana Rai.

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