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União Europeia exige "investigação exaustiva e transparente" sobre detenções na Bielorrússia

União Europeia exige "investigação exaustiva e transparente" sobre detenções na Bielorrússia

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE) exigiu esta segunda-feira uma "investigação exaustiva e transparente" sobre alegados abusos contra bielorrussos que se têm manifestado de forma expressiva para contestar o resultado das eleições presidenciais no país.

"Com cada vez mais relatos chocantes de condições e tratamentos desumanos nos locais de detenção, a UE espera uma investigação exaustiva e transparente de todos os alegados abusos a fim de responsabilizar os responsáveis", vinca o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, numa declaração divulgada esta segunda-feira.

Indicando que a delegação da UE na Bielorrússia já transmitiu estas "expectativas às autoridades bielorrussas", o responsável contextualiza esta exigência com as manifestações expressivas dos últimos dias, que subiram de tom no domingo.

"No domingo, verificou-se a maior manifestação da história moderna bielorrussa, [com] centenas de milhares de bielorrussos a saírem às ruas em toda a Bielorrússia para participar na Marcha da Liberdade", assinala Josep Borrell.

"Estas manifestações pacíficas tinham claras exigências: a libertação de todas as pessoas detidas ilegalmente, a acusação dos responsáveis pela brutalidade policial e a realização de novas eleições presidenciais", acrescenta. O chefe da diplomacia europeia observa que "os números mostram claramente que a população bielorrussa quer mudanças e quer agora" e garante que "a UE está do seu lado".

Josep Borrell lembra, ainda, que conforme acordado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros europeus na passada sexta-feira, "a UE está a trabalhar em novas listas de sanções contra os responsáveis pela violência, repressão de protestos pacíficos e falsificação dos resultados eleitorais".

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Desde há uma semana que a Bielorrússia é palco de uma onda de protestos contra a reeleição do Presidente, Alexandr Lukashenko, que muitos, incluindo a UE, consideram fraudulenta.

No poder há 26 anos, Alexandr Lukashenko obteve, segundo a Comissão Eleitoral Central do país, mais de 80% dos votos no dia 9 de agosto, conquistando o seu sexto mandato. Desde então, mais de 6700 pessoas foram presas durante ações de protesto e centenas dos já libertados relataram cenas de tortura sofridas na prisão.

Em resposta ao agravamento da crise, a UE acordou na sexta-feira impor sanções contra as autoridades bielorrussas ligadas à repressão e à fraude eleitoral.

No domingo, realizou-se um dos maiores protestos da oposição na história da Bielorrússia, com várias dezenas de milhares de pessoas em Minsk para exigir a saída do chefe de Estado, mas o Presidente já rejeitou a possibilidade de realizar novas eleições presidenciais. A candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, está refugiada na Lituânia.

Esta segunda-feira mesmo, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, convocou uma reunião extraordinária de líderes para quarta-feira, por videoconferência, para discutir as tensões sociais e políticas na Bielorrússia, após as eleições presidenciais no país.

Os líderes das principais famílias políticas do Parlamento Europeu reclamaram a realização de novas eleições presidenciais na Bielorrússia, exortando as instituições da União Europeia e os 27 a estarem vigilantes face a potenciais ingerências de Moscovo.

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