Migrações

União Europeia rejeita "uso político de migrantes" por parte da Turquia

União Europeia rejeita "uso político de migrantes" por parte da Turquia

Os chefes da diplomacia da União Europeia (UE) rejeitaram esta sexta-feira o "uso político de migrantes" por parte da Turquia, pedindo a Ancara que cumpra os seus compromissos no acolhimento de refugiados, após ameaças de abertura de fronteiras.

"Rejeitamos o uso político de migrantes por parte da Turquia", afirmou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, falando à agência Lusa após ter participado numa reunião dos responsáveis pela diplomacia comunitária na Biblioteca Nacional e Universitária de Zagreb, na Croácia.

Numa alusão à advertência feita por Ancara, de abrir as fronteiras para deixar passar migrantes e refugiados para a UE, ameaçando assim falhar os compromissos assumidos com o bloco comunitário, Augusto Santos Silva insistiu: "Não aceitamos este uso por parte da Turquia dos migrantes como uma arma de arremesso político".

Recordando o "quadro de cooperação para apoiar a Turquia no esforço gigantesco que tem feito para acolher e integrar milhares de refugiados", no âmbito do acordo celebrado em 2016, o chefe da diplomacia portuguesa defendeu que "ambas as partes -- a UE e a Turquia -- devem cumprir plenamente esse acordo".

"Esse acordo garante à Turquia meios financeiros consideráveis, do lado da UE, para justamente apoiar as entidades públicas e as organizações não-governamentais que trabalham no sentido do acolhimento e da integração de refugiados", assinalou.

Nos últimos dias, a tensão entre Ancara e Bruxelas aumentou após a Turquia ter anunciado a abertura de fronteiras para deixar passar migrantes e refugiados para a UE, ameaçando assim falhar os compromissos assumidos com o bloco comunitário.

Com a medida, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pretende garantir mais apoio ocidental na questão síria, mas a iniciativa já foi veemente criticada pela UE.

Apesar de a Bulgária e o Chipre também serem pressionados, é sobretudo a Grécia que enfrenta esta pressão migratória nas suas fronteiras externas com a Turquia.

De acordo com Augusto Santos Silva, no Conselho de Negócios Estrangeiros desta sexta-feira resultou uma manifestação de "solidariedade com a Grécia e também com o Chipre, a Bulgária e outros Estados-membros que estão sujeitos a uma pressão migratória adicional no seu esforço de preservar as suas próprias fronteiras e também a fronteira externa na UE".

A UE e a Turquia celebraram em 2016 um acordo no âmbito do qual Ancara se comprometia a combater a passagem clandestina de migrantes para território europeu em troca de ajuda financeira.

Porém, a Turquia, que acolhe no seu território cerca de quatro milhões de refugiados, na maioria sírios, anunciou ter aberto as fronteiras com a Europa, ameaçando deixar passar migrantes e refugiados numa aparente tentativa de pressionar a Europa a assegurar-lhe um apoio ativo no conflito que a opõe à Rússia e à Síria.

Entretanto, esta exta-feira à meia-noite entrou em vigor um acordo de cessar-fogo na província síria de Idlib após conversações em Moscovo entre o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e russo, Vladimir Putin.

"Tomamos nota do acordo de cessar-fogo celebrado ontem [quinta-feira] entre os Presidentes Putin e Erdogan e apelamos a que esse cessar-fogo seja cumprido de imediato e de maneira sustentável e que permita proteger os civis, abrindo corredores humanitários para a assistência internacional às pessoas que se encontram hoje em situações muito difíceis", adiantou Augusto Santos Silva à Lusa.