Brexit

Unionistas irlandeses suspendem apoio ao acordo de paz de Belfast

Unionistas irlandeses suspendem apoio ao acordo de paz de Belfast

Grupos paramilitares da Irlanda do Norte, defensores da coroa britânica, anunciaram a suspensão do seu apoio ao acordo de paz de Belfast, por causa das negociações pós-Brexit, no meio de tensas negociações entre Londres e Bruxelas.

Numa carta enviada quarta-feira ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, o Conselho de Comunidades Lealistas (LCC, na sigla em inglês) anunciou que "vai retirar o seu apoio ao acordo de Belfast e às suas instituições, até que os direitos sob este acordo sejam restaurados".

O LCC representa três grupos que estão na origem dos conflitos entre unionistas, partidários da ligação a Londres, e republicanos, partidários da ligação à República da Irlanda, que matou mais de 3500 pessoas, ao longo de três décadas.

A oposição unionista ao ameaçado protocolo com a Irlanda do Norte no acordo do Brexit permanecerá, no entanto, "pacífica e democrática", prometeu o LCC, afastando os cenários de um regresso à violência na região.

Contudo, o anúncio do seu afastamento em relação ao acordo de paz de Belfast, assinado em 1998, reflete o impacto do Brexit no delicado equilíbrio de paz na Irlanda do Norte.

Projetado para evitar o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte, que pertence ao Reino Unido, e a República da Irlanda, que é estado-membro da União Europeia (UE), o protocolo negociado entre Londres e Bruxelas introduz controlos sobre as mercadorias que chegam do território britânico à Irlanda do Norte.

Este protocolo - que ficou conhecido como o backstop irlandês - denunciado pelos unionistas como constituindo uma fronteira entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido, está a causar dificuldades de abastecimento, nomeadamente pelo acréscimo de burocracia alfandegária.

PUB

Em fevereiro, os controlos sobre as mercadorias procedentes do Reino Unido foram suspensos, por causa de um clima de ameaças aos agentes responsáveis pelo cumprimento dessas formalidades alfandegárias, que emergiram desde 1 de janeiro, quando os britânicos saíram do mercado único e da união aduaneira europeia.

O LCC quer agora suspender o seu apoio ao acordo de Belfast até que o protocolo seja emendado para permitir "a circulação desimpedida de bens, serviços e pessoas em todo o Reino Unido".

"Se vocês ou a União Europeia não estiverem preparados para honrar o acordo na sua totalidade, serão vocês os responsáveis pela sua destruição", disse o CLL dirigindo-se ao Governo de Londres.

As tensões entre Londres e Bruxelas aumentaram na quarta-feira com a decisão unilateral do Governo britânico de estender por seis meses, até 1 de outubro, o período transitório para o controlo de produtos agroalimentares que seguem do Reino Unido para a Irlanda do Norte.

A UE denunciou esse prolongamento como sendo uma "violação" do acordo Brexit e avisou que responderá "com os meios legais" previstos nos acordos celebrados entre Londres e Bruxelas.

Já o governo britânico negou que tenha violado o Acordo para o Brexit. "Este tipo de medidas operacionais tem muitos precedentes e são comuns em outros acordos comerciais internacionais", argumentou um porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson.

As medidas, acrescentou, "estão perfeitamente alinhadas com a nossa intenção de cumprir de boa fé as nossas obrigações ao abrigo do protocolo da Irlanda do Norte".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG