Eleições

Urnas abrem na Guiné-Bissau sem incidentes mas com baixa afluência no interior

Urnas abrem na Guiné-Bissau sem incidentes mas com baixa afluência no interior

Mais de três mil mesas de voto distribuídas pelos 29 círculos eleitorais da Guiné-Bissau abriram este domingo sem incidentes, às 7 horas (mesma hora em Portugal continental), para a realização das eleições legislativas.

A votação para escolher o novo parlamento envolve mais de 761 mil eleitores e encerra às 17 horas.

A circulação está condicionada e só os elementos autorizados pela Comissão Nacional de Eleições podem circular entre os vários pontos de controlo espalhados pelo território.

A rádio Capital FM está a noticiar, citando os correspondentes no interior do país, que a população "aparece a conta gotas" nas mesas de voto.

Por exemplo, numa mesa em Quinará, onde devem votar 340 eleitores, só estavam na fila cerca de 40 pessoas, uma hora após a abertura da assembleia do voto.

Os agentes do escrutínio indicaram aos jornalistas que, no interior, os cidadãos só aparecem para votar no período da tarde, após os trabalhos no campo da lavoura ou depois das lides domésticas.

Em Bissau, as queixas prendem-se com falta de agentes de segurança nas assembleias de voto. A segurança do ato eleitoral vai ser garantida por um efetivo de seis mil elementos das forças de segurança e de defesa. Fonte da Guarda Nacional disse à Lusa que não foi possível cobrir todas as mesas de voto por falta de agentes.

As eleições vão ser acompanhadas por observadores internacionais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), União Africana e dos Estados Unidos da América.

Entre os 21 partidos políticos que se candidatam às eleições, destacam-se o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das legislativas de 2014, e o Partido da Renovação Social (PRS), segunda maior força política do país, mas que esteve no Governo da legislatura que agora termina.

Na corrida participa também o Movimento para a Alternância Democrática (Madem), criado há oito meses por um grupo de dissidentes do PAIGC.

As eleições legislativas visam acabar com a crise política que existe no país desde 2015, quando o presidente guineense, José Mário Vaz (PAIGC), demitiu Domingos Simões Pereira do cargo de primeiro-ministro, depois de o PAIGC ter vencido as eleições em 2014 com maioria absoluta.