Espanha

Usou droga que causa torpor muscular e amnésia para roubar amigos e família

Usou droga que causa torpor muscular e amnésia para roubar amigos e família

Tem 24 anos, gostos caros, muita imaginação e habilidade no uso do Photoshop. Envenenou pelo menos sete pessoas, incluindo os avós de 90 anos, para lhes sacar cerca de 41 mil euros, aproveitando-se do estado de torpor físico e amnésia em que a droga deixava as vítimas.

Pelo menos sete pessoas deram entrada num hospital de Leon, em Espanha, durante o ano de 2018, com os mesmos sintomas: dilatação da pupila dos olhos, secura na boca, dificuldade de coordenação de movimentos e da fala, diminuição da consciência e amnésia recente.

As vítimas não tinham qualquer relação entre elas e só por casualidade o novelo começou a desfiar-se. A última das vítimas, que deu entrada no hospital em risco de vida, em janeiro de 2019, levou os investigadores à conversa com os médicos e o caso começou a deslindar-se.

"Uma vítima levou a outra, que em princípio não tinham qualquer relação, depois a outra e a única constante entre todas era uma mulher, com a qual todas tinham estado antes de terem os estranhos sintomas, todas deram positivo na análise à escopolamina", um fármaco inibidor do sistema muscular, que atua impedindo a passagem de determinados impulsos nervoso para o sistema nervoso central.

Era no quadro amnésico que se aproveitava para obter o "pin" dos cartões, que depois usava para levantamentos e transferências, e até para convencer as vítimas, quando estas recuperavam os sentidos, que haviam feito determinadas compras. "Chegou a convencer uma amiga de que esta tinha comprado bilhetes para as Seychelles por nove mil euros: falsificou tudo: a fatura, os bilhetes, as transferências bancárias; era muito habilidosa com o Photoshop", dizem os investigadores, citados pelo jornal espanhol "El País".

Meticulosa, planificava os ataques ao milímetro. Escolhia a vítima, entre amigos e familiares, que incluíram os avós, de mais de 90 anos, e atuava segundo um guião criado especificamente para cada vítima. "Criava o pretexto com o qual as levaria ao multibanco, passando sempre antes por tomar uma bebida num café, altura em que introduzia a substância tóxica que anulava a vontade" das vítimas, explicaram os investigadores espanhóis.

Usou dinheiro para financiar luxos

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Com excelentes conhecimentos de informática, terá criado todas as provas falsas que necessitava para dar cobertura aos esquemas. "Documentos das Finanças, faturas de alegadas compras, bilhetes de avião falsos", enumeram os investigadores. Artifícios para convencer as vítimas, amigos e familiares, de que tinham sido eles a gastar, de livre vontade, o dinheiro que lhes faltaria.

Com o esquema, que se prolongou durante 2018 e pelo menos até janeiro de 2019, sacou cerca de 41 mil euros a pelo menos sete pessoas, com montantes entre os 200 e os nove mil euros.

Natural de Leon, com 24 anos, reside num bairro da periferia com a família. "Uma jovem normal sem qualquer tipo de antecedentes", segundo os investigadores. Desempregada e sem qualquer tipo de rendimento, "decidiu financiar a compra de um carro, um computador e um telefone de última geração" à custa dos outros.

Foi agora detida pela Guarda Civil e colocada em prisão preventiva a aguardar para ser ouvida por um juiz.

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