Direitos humanos

Uzbequistão: Nova lei anti-LGBT facilita violência e cria censura

Uzbequistão: Nova lei anti-LGBT facilita violência e cria censura

Homossexualidade no Uzbequistão é ilegal e quem for apanhado pode ir preso três anos.

A comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgénero) do Uzbequistão diz que está a enfrentar uma onda crescente de ameaças e repressão que não têm precedente no no ex-membro da URSS.

O clima social piorou muito desde que novas leis foram aprovadas esta semana, proibindo a publicação de conteúdos considerados desrespeitosos para com a sociedade e o Estado - como, por exemplo, notícias ou comentários que defendam a descriminalização da homossexualidade, que é ilegal e punível com até três anos de prisão. O Uzbequistão é o único estado pós-soviético, juntamente com o Turquemenistão, que proíbe explicitamente as relações sexuais entre homens.

Debate e agressões

A violência anti-LGBT estourou este fim de semana em Toshkent, capital do Uzbequistão, após um acalorado debate social que apelava à reforma do código penal que enquadra a homossexualidade. Houve confrontos nas ruas e dois adolescentes ficaram gravemente feridos, relata o jornal inglês "The Guardian".

Miraziz Bazarov, um popular bloguer que é crítico dos valores conservadores uzbeques e que apoia ativamente os direitos LGBT, também foi espancado por um grupo de homens mascarados. Três dias após o ataque, a sua casa foi revistada pelos serviços de segurança e foram-lhe apreendidos documentos e o seu computador pessoal.

Ficar em casa por medo

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Membros da comunidade LGBT no Uzbequistão, que falaram com o jornalista do "The Guardian" sob anonimato, dizem que os protestos e a publicação das fotos, nomes e endereços de pessoas LGBT nas redes sociais, juntamente com apelos à violência, deixaram-nos a temer pelas seus vidas.

"Tenho medo de morrer aqui e não tenho nenhum sítio para onde escapar. Hoje em dia, muitos de nós estão a ficar fechados em casa por medo", disse um homossexual de 20 anos.

"Queremos apenas paz e liberdade, mas está tudo a piorar. Tenho ataques de pânico e a depressão já entrou na minha vida. Não quero viver assim", disse outro jovem uzbeque.

"Agora sinto-me ainda mais vulnerável", confessou outro homem. "Dantes, nós, os gays, só tínhamos medo da lei, mas agora também temos medo dos radicais, que são cada vez mais. E, pior ainda, sabemos que o governo está oficialmente do lado deles".

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