Pandemia

Vacina Johnson & Johnson levanta dúvidas morais a católicos nos EUA

Vacina Johnson & Johnson levanta dúvidas morais a católicos nos EUA

A Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos e seis dioceses do país mostraram "preocupação moral" com a vacina Johnson & Johnson (J&J), uma vez que esta se serve de células cultivadas em laboratório, que descendem de células retiradas de tecido de fetos abortados na década de 1980. Especialistas de saúde sublinham que "não estamos num cenário em que possamos dizer 'Eu não quero' ".

As vacinas da Pfizer e Moderna levantaram preocupações menores a responsáveis católicos, porque foi usada uma linha celular obtida a partir de um aborto para testá-las, não tendo este material genético sido usado para a produção, refere um comunicado da arquidiocese de Nova Orleães, onde se afirma que a ligação ao aborto é "extremamente remota". Já a vacina Johnson & Johnson foi desenvolvida, testada e produzida com linhas de células provenientes de abortos, levantando "preocupações morais adicionais".

O bispo Michael Duca, da arquidiocese de Baton Rouge, explicou que se os fieis só tiverem disponível a vacina da Johnson & Johson devem "sentir-se livres para ser vacinados, tanto pela própria segurança como pelo bem comum". Contudo, segundo a CNN, a diocese de Burlington alertou que "de forma alguma a posição da Igreja diminui a transgressão daqueles que decidiram usar células de aborto para fazer vacinas". Para os responosáveis catolicos, sempre que possível, os fieis devem tentar optar pelas vacinas eticamente menos reprováveis, segundo a moral religiosa.

Em dezembro, um comunicado do Papa Francisco, que recebeu a vacina em janeiro, dava conta que "o uso de tais vacinas não constitui cooperação formal com o aborto". Uma nota divulgada pela Congregação para a Doutrina da Fé explicou que "é moralmente aceitável utilizar as vacinas anticovid-19 que tiverem utilizado linhas celulares de fetos abortados (...) a razão fundamental para considerar moralmente lícito o uso destas vacinas é que o tipo de cooperação para o mal é remota".

Na quarta-feira, a Casa Branca também rejeitou as declarações da Conferência dos Bispos alegando à CNN que "o presidente Joe Biden também é católico praticante" e que está atenta às hesitações dos fiéis e a trabalhar numa maneira de lidar com a situação. Recentemente, Biden tornou público o objetivo de vacinar toda a população adulta dos Estados Unidos até ao final de maio.

"Não estamos num cenário em que possamos escolher vacinas", considerou à televisão norte-americana Paul Goepfert, diretor de uma clínica de investigação de vacinas do Alabama. Pelo mesma ideia, segue Jeff Carson, reitor da Rutgers Biomedical and Health Sciences, uma organização responsável por escolas e centros de investigação de saúde, que deixa uma conselho a todos os pacientes e amigos: "Tomem a primeira que conseguirem. Isso é o mais importante". Atualmente, os americanos não têm oportunidade de escolher qual é a vacina que vão tomar, isto porque, geralmente, a selecionada para cada cidadão depende daquelas que estão disponíveis.

Recorde-se que a Johnson & Johnson é a terceira vacina a ser aprovada nos Estados Unidos para combater a pandemia e, ao contrário de outras vacinas contra a covid-19, é de dose única e não precisa de estar exposta a temperaturas especiais facilitando, por isso, o transporte.

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