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Vacina unidose da Johnson & Johnson aprovada para uso na União Europeia

Vacina unidose da Johnson & Johnson aprovada para uso na União Europeia

A Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla em inglês) aprovou, esta quinta-feira, o uso de emergência da vacina da Johnson & Johnson para maiores de 18 anos.

A vacina da Janssen, propriedade da Johnson & Johnson, é a quarta a ser aprovada na União Europeia e deve ser começar a ser distribuído em meados de abril, após autorização da Comissão Europeia. Era esperada com ansiedade, uma vez que as suas particularidades podem mudar o panorama da vacinação mundial.

"Com esta última opinião positiva, as autoridades de saúde europeias terão mais uma opção para combater a pandemia e proteger a vida e a saúde dos cidadãos", diz Emer Cooke, diretor-executivo da Agência Europeia do Medicamento, no texto em que revela a aprovação deste novo fármaco, salientando que se trata da primeira vacina unidose.

A primeira vacina contra a covid-19 de apenas uma dose

A fórmula da vacina da Johnson & Johnson tem como base a utilização de um adenovírus inofensivo (vetor viral), semelhante ao vírus que causa a gripe comum. Os investigadores da farmacêutica trocaram uma pequena parte da genética do adenovírus pela proteína "spike" do SARS-CoV-2. Assim, quando o adenovírus modificado entra no corpo humano, as células conseguem replicar a proteína do vírus, de forma inofensiva, e criar anticorpos contra o novo coronavírus e bloquear a infeção por covid-19.

Apesar de terem na sua composição material genético do vírus, as vacinas de vetor viral são seguras, isto porque o adenovírus não tem força suficiente para se replicar nas células humanas.

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Embora a vacina da AstraZeneca/Oxford também recorra a um vírus comum como adenovírus, a vacina da Johnson & Johnson é a única no mercado que requer apenas uma dose. E enquanto as vacinas da Pfizer e da Moderna precisam de estar congeladas a temperaturas inferiores a 70º negativos, a vacina da companhia norte-americana pode ser armazenada a temperaturas entre os 2º C e os 8º C, atingidas por um frigorífico comum.

Estas características distinguem a vacina da Johnson & Johnson das restantes no mercado. A toma de dose única bem como a facilidade de armazenamento tornam o uso e a distribuição da vacina, consideravelmente, mais fácil. É, assim, mais uma alternativa viável que se vem juntar ao combate da pandemia e pode dar força à campanha de vacinação global.

A eficácia e a segurança da vacina da Johnson & Johnson

No final de janeiro, o grupo Johnson & Johnson revelou que a sua vacina contra a covid-19 tinha uma eficácia de 85% em casos muito graves e de 66% em casos de doença moderada ou grave. Assim, apesar de ainda existir alguma probabilidade de a pessoa ficar infetada, as hipóteses de ficar hospitalizado ou morrer devido à covid-19 depois de vacinado são, significativamente, baixas.

Com quase 44 mil voluntários, os ensaios clínicos foram realizados em sete países e por isso tiveram resultados diferentes. Nos Estados Unidos a eficácia foi de 72%, na América Latina de 66% e 57% na África do Sul, onde circula uma das variantes mais contagiosas do coronavírus. Apesar de a proteção geral ter sido menor na África do Sul, a eficácia manteve-se "alta" contra formas graves da doença.

No total, os ensaios clínicos mostram uma eficácia de 67%, na redução de casos sintomáticos duas semanas após a inoculação, quando comparado com o grupo de pessoas que foram vacinadas com um placebo.

De acordo com Paul Stoffels, responsável científico da Johnson & Johnson, em comunicado, este nível de proteção "tem o potencial de proteger centenas de milhões de pessoas da forma mais grave da doença e da morte".

Os investigadores monitorizaram o curso da infeção 28 dias depois da toma da vacina. Após esse período, nenhuma das pessoas vacinadas precisou de ser hospitalizada ou morreu, mesmo depois de expostas ao SARS-CoV-2, incluindo as variantes mais perigosas. A proteção conferida pela vacina foi registada a partir do 14.º dia a seguir à inoculação.

O diretor de investigação da Janssen Pharmaceutical, a farmacêutica da Johnson & Johnson, Mathai Mammen, disse à agência Associated Press que "valeu a pena apostar numa vacina de dose única". Mammen afirmou, ainda, que quando as pessoas vacinadas contraíram a doença, tiveram qpenas sintomas ligeiros.

Apesar das outras vacinas registarem uma eficácia de cerca de 95% nos ensaios clínicos, os seus testes foram realizados, essencialmente, nos Estados Unidos da América e antes da propagação das novas variantes do vírus. Logo, não beneficiaram da mesma diversidade populacional, nem tiveram de lidar com as novas mutações, que se revelaram mais contagiosas.

Segundo a Agência de Medicamentos e Produtos Alimentares dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), que estudou de forma independente os resultados de ensaios clínicos, a vacina da Johnson & Johnson também se mostrou eficaz contra as variantes do Reino Unido e do Brasil, um dado relevante numa altura em que estas ganham força em vários países.

A Johnson & Johnson está também a estudar a probabilidade da vacina ser administrada em duas doses com dois meses de intervalo, mas os resultados desse ensaio "só estarão disponíveis neste Verão", disse Stoffels, responsável científico da empresa.

Quais os países onde a vacina já foi aprovada?

A África do Sul foi o primeiro país do mundo a iniciar a campanha de vacinação com a vacina da Johnson & Johnson, a 17 de fevereiro. O país africano mais atingido pela pandemia da covid-19 encomendou nove milhões de doses à empresa americana.

Os Estados Unidos da América aprovaram a vacina para uso de emergência 10 dias depois. Para potenciar a produção da vacina, a Casa Branca anunciou que a farmacêutica Merck vai trabalhar em conjunto com a Johnson & Johnson. Graças à cooperação destas duas empresas, Joe Biden afirmou que vai ser possível imunizar todos os adultos norte-americanos até ao fim de maio, antecipando em dois meses o prazo previsto. A empresa americana comprometeu-se a dar 100 milhões de doses aos EUA até ao final de junho.

Também o Canadá já adicionou a vacina da Johnson & Johnson à lista de vacinas autorizadas no país. O primeiro-ministro, Justin Trudeau, revelou que encomendou 38 milhões de doses da vacina de toma única. Em outubro, a Comissão Europeia chegou a acordo com a farmacêutica belga Janssen, do grupo Johnson & Johnson, para permitir que a vacina para a covid-19 desenvolvida pela companhia chegue a 200 milhões de europeus.

Além destes países, a empresa já se comprometeu a produzir cerca de 500 milhões de doses da vacina para o programa COVAX, que tem como objetivo garantir que os países mais vulneráveis do mundo também recebem as vacinas.

Até ao final de 2021, a Johnson & Johnson espera distribuir mil milhões de doses com a produção espalhada pelos Estados Unidos, Europa, África do Sul e Índia.

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