Covid-19

Vacinas da AstraZeneca rejeitadas e a ganhar pó na Alemanha

Vacinas da AstraZeneca rejeitadas e a ganhar pó na Alemanha

Centenas de milhares de doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca continuam por utilizar na Alemanha, com parte do país a temer que seja menos eficaz do que a da Pfizer.

Vendo na vacina contra o novo vírus a última esperança para regressar à vida de sempre, os alemães reclamaram, no início do ano, da falta de doses. Mas, escreve o "The New York Times", apenas algumas semanas depois, percebe-se que a exigência não caía sobre uma qualquer vacina contra a covid-19, mas sim sobre uma que desejassem. Neste caso, a vacina da casa.

Embora a substância da anglo-sueca AstraZeneca tenha sido aprovada pela Agência Europeia do Medicamento e pela Organização Mundial da Saúde, impera na Alemanha a preferência pela vacina desenvolvida pela empresa alemã BioNTech em conjunto com a norte-americana Pfizer. Enquanto por todo o mundo se clama por mais inoculações, com muitos países a braços com uma escassez severa, o resultado deste favoritismo alemão é, segundo as autoridades de saúde do país, o engavetamento da vacina da AstraZeneca.

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Todas as principais vacinas contra a covid-19 oferecem forte proteção contra o desenvolvimento de formas graves da doença e morte, mas as taxas de eficácia geral mostram que algumas parecem ter melhores resultados do que outras na proteção contra qualquer forma, incluindo os casos de doença ligeira ou moderada (que podem levar a longas lutas contra sintomas). Os ensaios clínicos sugerem que a eficácia da Pfizer/BioNTech seja de 95%, maior do que a da AstraZeneca, que está entre 60 e 90%, dependendo de fatores como o espaçamento entre doses. A da Moderna, a terceira administrada na Alemanha, tem cerca de 94%.

Administradas só 271 mil doses de entre 1,45 milhões

O ceticismo generalizado sobre a vacina da AstraZeneca exacerbou a relutância dos cidadãos em recebê-la, incluindo profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha de frente, que defendem que a oferta desrespeita os seus esforços para ajudar no combate à pandemia. E, naturalmente, está a provocar atrasos na campanha de vacinação em massa e na retoma da normalidade.

De acordo com o diário de referência norte-americano, "muitas pessoas" estão a faltar a marcações ou a recusar inscrever-se para serem inoculadas com a AstraZeneca, temendo que a vacina seja menos eficaz do que a da BioNTech. Segundo a autoridade de saúde pública, o Instituto Robert Koch, duas semanas depois da primeira entrega de 1,45 milhões de doses da empresa anglo-sueca ao país, só 270.986 foram administradas.

"A questão é que temos um produto de fabrico alemão que é líder de mercado, mas não conseguimos obtê-lo", disse, citado pelo "The New York Times", o enfermeiro alemão Michael Breiden, de 53 anos, que preferiria a injeção da Pfizer/BioNTech, mas aceitará a da AstraZeneca se isso signifique imunizar mais pessoas mais rapidamente.

As comparações têm sido alimentadas pela imprensa alemã, que retrata a substância da AstraZeneca como sendo de "segunda linha", citando a sua menor taxa de eficácia em comparação com a da Pfizer e relatando casos de pessoas que sofrem reações (sublinhe-se: reações normais à vacina).

A situação já motivou apelas do presidente alemão que, na quinta-feira, enfatizou que todas as três vacinas em uso na Alemanha foram aprovadas e são confiáveis. "A vacinação rápida está na ordem do dia", afirmou Frank-Walter Steinmeier, que diz ter "pouca simpatia pela relutância" verificada, sobretudo quando há "países que podem nem ter a perspetiva de receber uma primeira vacina este ano".

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