Covid-19

Vacinas para covid-19 podem dar febre alta mas é cedo para tirar conclusões

Vacinas para covid-19 podem dar febre alta mas é cedo para tirar conclusões

Em ensaios clínicos de vacinas desenvolvidas para o novo coronavírus, há resultados que apontam para febre, desmaios e dores de cabeça como efeitos secundários. Os especialistas dizem que ainda é cedo para tirar conclusões.

Dos 141 projetos em curso para encontrar uma vacina para a covid-19, de acordo com o balanço mais recente da Organização Mundial da Saúde, 16 estão na fase de ensaio clínico (com testes em pessoas), pelo que se vão sabendo alguns avanços, nomeadamente no que diz respeito aos efeitos secundários detetados durante o processo.

A vacina Moderna Therapeutics, desenvolvida pelo Centro de Investigação de Vacinas dos EUA e pela empresa Moderna, sediada no Estado do Massachusetts, já foi testada em oito voluntários (está agora a ser testada em 600 e aguarda autorização para envolver 30 mil) e a experiência permitiu retirar as primeiras conclusões. "Genericamente segura e bem tolerada", descreveu a empresa no fim da primeira fase de testes em humanos, a vacina em desenvolvimento provocou quatro situações "adversas": um eritema (inflamação na pele) ao redor do local da injeção num participante e "sintomas sistémicos de grau 3, apenas após a segunda dose" em três participantes. "Todos os eventos adversos foram transitórios e com auto-resolução. Não foram relatados eventos adversos de grau 4 ou eventos adversos graves", acrescentou a empresa, não detalhando os efeitos.

Voluntário teve febre alta e desmaiou

Ian Haydon, 29 anos, foi um desses quatro voluntários a sofrer efeitos secundários assinaláveis: teve mais de 39,5 graus de febre doze horas depois de receber uma segunda dose do fármaco; a temperatura baixou depois de ser tratado no hospital, mas já em casa, acabou por desmaiar, contou à revista médica STAT. "Entendo que partilhar a minha história será assustador para algumas pessoas. Espero que não gere nenhum tipo de antagonismo em relação às vacinas em geral ou mesmo em relação a esta vacina", disse Haydon, desta vez em entrevista à CNN, explicando a razão que o levou a contar a experiência: "neutralizar o desespero que algumas pessoas sentem em lançar uma vacina no mercado, independentemente das consequências". É "preciso encontrar uma vacina que faça com que o corpo produza anticorpos, mas não cause muitos efeitos colaterais", explicou.

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Já esta semana, um relatório sobre testes da vacina desenvolvida pela Universidade de Sechenov, em Moscovo, mostrou semelhanças nas reações. Em "alguns" voluntários dos 20 que receberam a injeção, verificou-se um ligeiro aumento de temperatura e dores de cabeça, sintomas que pararam nas 24 horas seguintes e que são uma resposta "típica noutros tipos de injeções". "A eficácia da vacina será julgada no final do estudo, com testes imunológicos de laboratório para fornecer uma resposta completa", disse Elena Smolyarchuk, responsável pela investigação.

Sintomas variam com "o tipo de tecnologia" usada, diz Henrique Barros

Questionado pelo JN sobre o tipo de efeitos secundários que se poderá esperar de uma vacina para este vírus, o epidemiologista Henrique Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, disse que "alguns efeitos, como febre ou reações no local de injeção, são muito comuns e em geral muito benignos". "Outros muito raros como efeitos no sistema nervoso central e outros até ainda não são possíveis de prever e serão diferentes de acordo com o tipo de tecnologia que está a ser usada por diferentes equipas", acrescentou o especialista, ressalvando que talvez seja "demasiado cedo" e haja ainda "pouca informação" para fazer balanços.

São precisos 26 mil milhões de euros para acelerar tratamentos

A Organização Mundial da Saúde disse, esta sexta-feira, que a iniciativa global destinada a reunir recursos internacionais para acelerar o desenvolvimento e a produção de testes, vacinas e tratamentos vai exigir mais de 30 mil milhões de dólares durante o próximo ano (o equivalente a cerca de 26 mil milhões de euros), "em financiamento para diagnósticos, terapêuticas e vacinas". Até agora, só 3,4 mil milhões de dólares do plano total de custos foram prometidos.

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