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Vaticano rompe silêncio de Pio XII na Grande Guerra

Vaticano rompe silêncio de Pio XII na Grande Guerra

Historiadores de todas as partes do Mundo podem desde segunda-feira tentar esclarecer um dos maiores segredos da história do Vaticano após a abertura dos arquivos com documentação do Papa Pio XII (1939-1958), conhecido pela sua atitude passiva e silenciosa perante os nazis durante a Segunda Guerra Mundial.

Graças à decisão tomada há um ano pelo Papa Francisco, que declarou que "a Igreja não tem medo da História, pelo contrário", mais de 16 milhões de documentos vão poder ser consultados durante os próximos 14 anos, e, assim, calar os boatos e acusações sobre o pontífice.

Johan Ickx, ministro das Relações Exteriores do Vaticano, adiantou no portal oficial de notícias do estado alguns detalhes dos documentos, intitulados "Judeus", que contêm 170 fascículos com histórias de 4000 católicos, com antepassados judeus, que pediram ajuda a Pio XII. Segundo Ickx, a documentação revela os grandes esforços feitos pelo Papa para salvar os perseguidos por Hitler.

O Vaticano fez uma exceção nesta matéria, já que costuma esperar 70 anos depois do fim de um pontificado para abrir os arquivos. A Santa Sé publicara há 40 anos 12 volumes relativos à Grande Guerra, mas faltavam peças essenciais sobre o Papa de então.

Aliado ou inimigo?

Alguns críticos de Pio XII consideravam-no um aliado alemão na sombra por não se rebelar contra Hitler e tentar parar o extermínio dos judeus no Holocausto. Antes de chegar a Papa, Eugenio Pacelli, nome de nascimento de Pio XII, foi embaixador da Santa Sé na Alemanha e assinou a Concordata com o III Reich para estabelecer relações diplomáticas com o Governo de Hitler.

Não obstante, a sua decisão mais polémica aconteceu em 1943 no gueto de Roma, a poucos metros do Vaticano, quando permitiu que soldados nazis capturassem 1022 judeus, depois enviados para o campo de concentração da Alemanha nazi em Auschwitz, na Polónia.

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Por outro lado, a Igreja Católica sempre defendeu a postura de Pio XII na Grande Guerra. A ameaça de uma invasão alemã e a complexa localização do Vaticano, sempre rodeado pelo exército de Mussolini, obrigaram o Papa a não se pronunciar contra os ataques germânicos. Mas há fontes católicas segundo as quais Pio XII ajudou milhares de judeus a esconder-se e a fugir para a América Latina.

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