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Venezuela vai a a votos no dia da lealdade

Venezuela vai a a votos no dia da lealdade

Oito meses após vencer à tangente Capriles, o rosto da Oposição, Maduro tem este domingo nas eleições municipais a prova de fogo à liderança da Venezuela - um país com o Natal antecipado, mas à beira do colapso.

Um mano a mano: Maduro e Capriles. É verdade que 52 partidos e organizações políticas vão este domingo a votos nas municipais na Venezuela, para elegerem alcaldes (presidentes), concejales (vereadores) e representantes indígenas. Porém, entre as seis e as 18 horas, os dois líderes podem ditar o seu futuro político e o de um país, com a inflação a 50%.

Henrique Capriles viu fugir a presidência para Nicolás Maduro em abril, por 1,5% dos votos. É agora governador do Estado de Miranda, após bater o atual vice-presidente venezuelano. Em oito meses oleou a Mesa de la Unidad Democrática (MUD), que une vários partidos opositores de Centro-Esquerda, para apostar tudo nos 337 municípios - os analistas estimam que passe dos atuais 55 que detém para 120. Se às derrotas perante Chávez e Maduro juntar outra, poderá sair da liderança do MUD.

Já quanto ao Gran Polo Patriótico (GPP) de Maduro, se beneficiará de medidas tomadas nos últimos meses (ler caixa em baixo) é a incógnita. Pelo menos jogou a maior cartada: decretou este domingo o 'Dia da Lealdade e do Amor a Chávez". Mas corre o risco de divisões internas com um desaire.

De 20 milhões chamados às urnas, cerca de 1,3 milhões são portugueses e luso-descendentes, que também vão a votos (ler texto ao lado). "Estes candidatos acentuam a sua vertente venezuelana. Não mostram interesse em falar publicamente da ascendência portuguesa, daí não se conhecer quantos concorrem", revelou, ao JN, o cônsul-geral de Portugal em Caracas, Paulo Martins Santos.

Os primeiros resultados deste sufrágio, que é acompanhado por 50 observadores internacionais, conhecem-se pelas 21 horas (1.30 horas, em Portugal continental). "Tem sido um momento muito tenso, com algum controlo da Comunicação Social. A noite de domingo (hoje) vai ser de nervos", admitiu Alvarinho Santos, presidente da Casa do F.C. P., em Caracas.

Portugueses ambicionam municípios

Francisco Garcés da Silva e José Luis Rodríguez Fernández. Pelo menos estes lusodescendentes vão este domingo a votos em dois importantes municípios.

O primeiro, um engenheiro civil de 40 anos, já foi até ministro dos Transportes e Comunicações, entre 2010 e 2011, a convite de Hugo Chávez. Agora, concorre a Alcaide de Guaicaipuro (no Estado de Miranda) pelo Gran Polo Patriótico (GPP), o partido de Maduro.

Já Rodríguez, que tem tido um percurso na área social e apoios aos desprotegidos, recandidata-se à liderança de Carrizal (também em Miranda). Só que, se em 2008 se candidatou e venceu com uma lista da 'Acción Democrática', desta vez alinhou pela MUD, de Capriles, devido à integração verificada no período chavista.

Voz incómoda contra o atual sistema, Carlos Teixeira candidata-se a conselheiro (vereador) numa lista da MUD, liderada pela ex-modelo Fabiola Colmenares, em Vargas (Estado de Vargas). Teixeira tem um percurso marcado pela denúncia de casos de gestão fraudulenta com verbas estatais destinadas aos mais pobres.

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