Itália

Veterano da II Guerra reencontra-se com irmãos que quase matou por engano

Veterano da II Guerra reencontra-se com irmãos que quase matou por engano

Em 1944, em plena II Guerra Mundial, Martin Adler quase matou três irmãos que pensava serem soldados alemães. Setenta e sete anos depois, o veterano norte-americano regressou a Itália para os conhecer.

Martin Adler é um judeu norte-americano de origem húngara. Foi criado no Bronx e, aos 20 anos, voou para Itália para lutar contra os nazis como parte da 85.ª Divisão de Infantaria.

Durante mais de sete décadas, Adler guardou uma fotografia a preto e branco de si mesmo quando era um jovem soldado com três crianças italianas que salvou quando os nazis se retiraram para o norte, em 1944. Esta segunda-feira, aos 97 anos, voltou a reunir-se com os três irmãos, agora octogenários, pela primeira vez desde a guerra.

Adler estendeu a mão para agarrar as de Bruno, Mafalda e Giuliana Naldi no alegre reencontro no aeroporto, após uma viagem de 20 horas de Boca Raton, Florida, a Bolonha, Itália. Depois, assim como fazia quando era um soldado na sua aldeia de Monterenzio, distribuiu barras de chocolate americano.

Este foi o final feliz de uma história que poderia ter sido trágica.

"Estavam a apenas alguns segundos de uma tragédia"

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Voltar a estar com os três irmãos era um sonho para Adler. Isto porque, antes de os salvar, o soldado quase os matou por engano. A história foi contada em dezembro pela filha do veterano, Rachelle Adler Donley, numa página do Facebook criada com o objetivo de angariar fundos para a viagem do seu pai a Itália.

"Enquanto procurava alemães escondidos, o meu pai Martin Adler e John Bronsky (falecido) viram uma grande cesta fechada a mover-se e a fazer barulho. Ninguém saiu, mesmo depois de ter sido avisado. Foi naquele exato momento que uma mulher apareceu a gritar 'Crianças, crianças, crianças'", escreveu Rachelle. "Ela encostou a barriga na metralhadora do meu pai. Em seguida, três lindas crianças saíram da cesta. Estavam a apenas alguns segundos de uma tragédia que ia tirar vidas de jovens inocentes. Aliviado e dominado pela alegria, o meu pai abraçou as crianças".

A fotografia a preto e branco, partilhada por Rachelle, foi descoberta pelo jornalista italiano Matteo Incerti, que tinha escrito livros sobre a II Guerra Mundial, e que conseguiu rastrear o regimento de Adler a partir de um pequeno detalhe noutra fotografia.

Depois, a imagem foi publicada num jornal local, levando à descoberta da identidade das três crianças, que hoje já são avós e bisavós. Bruno, de 83 anos, Giuliana, 82 e Mafalda, 79, moram a poucos quilómetros da velha casa em que se escondiam quando Adler os encontrou. Os irmãos Naldi deram as boas-vindas a Adler e pretendem passar algum tempo com ele na aldeia.

Adler vai passar quase duas semanas em Itália e planeia visitar Bolonha, Monterenzio, Florença, Roma e Nápoles.

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