O Jogo ao Vivo

Bélgica

"Vi dois corpos no chão", recorda português ferido

"Vi dois corpos no chão", recorda português ferido

André Pinto, jovem motorista dos transportes públicos da cidade de Bruxelas, estava no Metro Maelbeek quando se deu a explosão. Internado com ferimentos e queimaduras, o emigrante natural de Santa Marta de Penaguião, recorda momentos de horror.

Há pelo menos 18 portugueses entre os feridos dos atentados de Bruxelas, mas o número ainda carece de confirmação, uma vez que as listas elaboradas pelo governo belga podem incluir pessoas duplicadas. Mas o certo é que estão todos bem de saúde.

É o caso de André Pinto, jovem motorista dos transportes públicos da cidade de Bruxelas. Estava no Metro Maelbeek quando se deu a explosão. Internado com ferimentos e queimaduras, o emigrante natural de Santa Marta de Penaguião teve alta esta quarta-feira à tarde.

PUB

"Tinha que substituir um colega meu num autocarro e tive de apanhar o metro para ir trabalhar. Na estação de Maelbeek, estava a ouvir música nos auscultadores, levantei os olhos para ver as pessoas a entrar na carruagem e foi quando se deu a explosão. Vi um bafo de chama a vir para mim. Tentei proteger-me e safar a minha vida", contou o emigrante ao JN.

A violência da deflagração destruiu as portas do metro, o que permitiu a André Pinto sair do local. "Vi um buraco e enfiei-me por ali para sair. No primeiro momento, dentro do carril onde estava, vi pessoas a chorar, outras queimadas e outras todas cheias de sangue. Depois, quando saí é que olhei para trás vi o carril onde tinha rebentado a bomba e vi lá dois corpos no chão estendidos. Não sei se estavam mortos", adiantou André Pinto que ainda sofreu outros ferimentos. "O teto caiu e bateu-me na perna e no pé. Com a explosão também fiquei com metade da audição afetada. O meu tímpano está direito e já recuperei 10% da audição", adiantou o sobrevivente por telefone, ao final da tarde, quando já se encontrava em casa a recuperar.

André Pinto está "desde sempre" na Bélgica, para onde foi viver com os pais quando ainda era bebé. Apesar dos atentados, não receia viver em Bruxelas. "Sempre vivi aqui. Sempre vi problemas nas ruas e nunca tive medo. Não é agora que vou ter medo. É natural que haja mais algum receio, mas a minha vida continua", garantiu o motorista, que logo após a saída da estação conseguiu telefonar à mãe para que o fosse buscar, antes de as linhas de telemóvel ficarem saturadas. "Depois não deu para falar com mais ninguém. Só consegui falar com familiares uma hora depois do atentado. Todas as linhas estavam sobrecarregadas", recorda André Pinto, que quer agora que a sua vida volte à normalidade, sem sobressaltos.

Lista de vítimas ainda não está fechada

A lista oficial de feridos estabelecida pelo Governo belga e transmitida aos serviços consulares portugueses dá conta de 19 feridos, aos quais já foram acrescentados mais dois, já confirmados por outras vias pelo secretário de Estado das comunidades. Só que, de acordo com José Luís Carneiro, poderá haver três nomes duplicados: têm a mesma data de nascimento e a grafia surge com pequenas alterações. Certo é que dez já foram contactados pelos serviços consulares e estão bem de saúde. Quanto aos mortos a lista oficial ainda não foi divulgada.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG