Paris

Vídeo "sexual" trava marcha a candidato em França

Vídeo "sexual" trava marcha a candidato em França

Travões a fundo na candidatura do partido presidencial A República em Marcha! à Câmara de Paris: o preferido de Emmanuel Macron, Benjamin Griveaux, desistiu esta sexta-feira da corrida, em consequência da divulgação, na véspera, de um vídeo de cariz sexual enviado a uma mulher com quem manteve uma relação extraconjugal há dois anos.

"Esta decisão custa-me, mas as minhas prioridades são claras - em primeiro lugar está a minha família", declarou Griveaux, queixando-se de "mais de um ano de difamações, mentiras, ataques anónimos, revelação de conversas privadas furtadas e ameaças de morte".

A decisão foi precipitada com a divulgação do vídeo, multiplicado rapidamente nas redes sociais ainda o candidato apresentava, na quinta-feira, o seu programa. "Não estou disposto a expor-me e à minha família ainda mais, quando todos os golpes são agora permitidos. Isto vai longe demais".

Os adversários na disputa, da recandidata socialista, Anne Hidalgo, ao pretendente barrado dentro do A República em Marcha! (REM!), Cédric Villani, pediram "respeito pela privacidade das pessoas" e condenaram o "ataque indigno".

Além dos efeitos políticos imediatos (a REM! está sem candidato a um mês das eleições autárquicas, a 15 de março), o incidente lança uma discussão sobre as fronteiras entre o combate político e a reserva da vida privada dos seus atores, que têm sido respeitadas.

Denunciar a hipocrisia

As revelações da existência de uma filha oculta do antigo presidente François Miterrand, fruto de uma relação secreta de 32 anos com a historiadora de Arte Anne Pingeot, apenas dois anos antes de ele morrer (""Paris Match", 10 de novembro de 1994), e do "affair" discreto entre o ex-presidente François Hollande e uma atriz (2014) foram pequenos sobressaltos, comparados com o sucedido.

A divulgação das imagens, num sítio eletrónico significativamente chamado "Pornopolitique", deve-se ao "ativista" e "artista político" russo Piotr Pavlenski, que vive em Paris com o estatuto de refugiado político", segundo assumiu o próprio ao diário "Libération", para "denunciar a hipocrisia" do candidato e deputado na Assembleia Nacional.

Griveaux, 42 anos, invoca "constantemente os valores da família e cita sempre como exemplo a sua mulher, mas faz o contrário", alega Pavlenski, que diz ter obtido as imagens da pessoa com quem o deputado tinha uma relação e trocava mensagens eróticas pelo menos em maio de 2018, era então porta-voz de Macron.

Pavlenski está longe de ser um anónimo, pelas suas "performances artísticas" chocantes. Por exemplo, em 2017, chamou as televisões e fez-se filmar a lançar gasolina aos janelões da fachada da filial do Banco de França na Bastilha, a atear-lhe fogo e a permanecer impávido à porta, até a Polícia o prender. Foi condenado a três anos de prisão, dois com pena suspensa.

Arrisca-se a ir a tribunal responder por divulgação ilícita de imagens, mas o advogado do ofendido, Richard Malka, especialista em questões de comunicação social, reconheceu ao diário "Le Monde" ser difícil "perseguir eficazmente este tipo de publicações".