Cronologia

Vinte e cinco anos de casos de abusos sexuais que abalaram a Igreja Católica

Vinte e cinco anos de casos de abusos sexuais que abalaram a Igreja Católica

O cardeal australiano George Pell foi condenado a seis anos de prisão por ter abusado sexualmente de dois rapazes do coro em Melbourne, na Austrália. É mais um nome a juntar a uma lista de casos que abalaram a Igreja Católica nas duas últimas décadas.

O juiz Peter Kidd, do Tribunal de Comarca de Victoria, em Melbourne, ordenou que George Pell, 77 anos, cumpra um mínimo de três anos e oito meses de prisão antes de ser elegível para sair em liberdade condicional.George Pell é o clérigo com o cargo mais elevado de sempre no Vaticano a ser condenado pelo abuso sexual de menores, tendo desempenhado funções de conselheiro económico do papa Francisco e de ministro da Economia do Vaticano.

Austrália

Além de George, há outro nome na Austrália que colocou a mira da Justiça em membros da Igreja. A 30 de julho de 2018, o papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Adelaide, Philip Wilson, condenado por ter encoberto os crimes sexuais cometidos nos anos 70 pelo padre Jim Fletcher.

Alemanha

Em 2018, a Igreja Católica alemã declarou-se "desanimada e envergonhada" depois da publicação de um estudo que revela que milhares de crianças sofreram abusos sexuais às mãos de padres entre 1946 e 2014. Pelo menos 3677 crianças, a maioria meninos com menos de 13 anos, foram vítimas de abuso sexual por 1.670 clérigos, de acordo com uma investigação da Conferência Episcopal Alemã, que foi consultada pela revista "Der Spiegel" e pelo jornal "Die Zeit".

Chile

Acusações do caso chileno tornaram-se públicas em 2010: 158 pessoas , entre bispos, padres ou leigos ligados à igreja , são alvo de investigações por crimes sexuais contra crianças e adultos, desde os anos 1960. Foram abertas 38 investigações, visando 73 pessoas por crimes contra 104 vítimas. Esta situação obrigou a uma série de mea culpas do papa Francisco que, de início, tinha defendido o bispo Juan Barros acusado de encobrir por décadas o padre Fernando Karadima, condenado por abusos sexuais contra menores nos anos 80 e 90. O papa Francisco recebeu, no vaticano, as vítimas para lhes pedir desculpa pessoalmente. Até Maio de 2018, os 34 sacerdotes implicados no caso apresentaram as suas demissões, inclusive o bispo Juan Barros.

Estados Unidos

A Igreja americana recebeu entre 1950 e 2013 denúncias de cerca de 17.000 vítimas, acusando 6400 membros do clero por crimes cometidos entre 1950 e 1980. Um relatório do Grande Júri da Pensilvânia, publicado no dia 14 de agosto de 2018, revelou abusos sexuais praticados por mais de 300 "padres predadores" e o encobrimento pela Igreja católica, onde pelo menos mil crianças foram vítimas destes abusos durante 70 anos. Em julho, o papa Francisco já tinha aceitado a demissão do cardeal americano Theodore McCarrick, de 88 anos, proibido de exercer após acusações de pedofilia. O ex-arcebispo de Boston, Bernard Law, símbolo do silêncio da Igreja diante dos padres pedófilos , morreu em 2017, tinha-se refugiado no Vaticano após renunciar ao cargo de arcebispo em 2002. Uma grande investigação do jornal "Boston Globe" , vencedora de um Pulitzer, havia revelado que a hierarquia encobria os crimes sexuais cometidos por cerca de 90 padres. Em 2015, a investigação serviu de mote ao Spotlight, premiado com a estatueta do Óscar de melhor filme.

Alemanha

Em 18 de julho de 2017, um relatório de investigação revelou um dos piores escândalos que atingiu a Igreja alemã. Cerca de 547 crianças do coro católico de Ratisbonne teriam sido vítimas de pedofilia entre 1945 e o início dos anos 1990. Um dos casos mais divulgados foi o do colégio jesuíta Canisius, em Berlim , que envolve cerca de vinte crianças.

França

O caso do padre Bernard Preynat, suspeito de ter abusado de cerca de 70 escuteiros entre 1986 e o final de 1991, surgiu a público a 23 de outubro de 2015 e manchou a imagem do cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, alvo de denúncias por não ter denunciado os crimes. A justiça francesa viria a condena-lo, em março de 2019, a seis meses de prisão com pena suspensa por não denunciar acusações de pedofilia contra o padre da sua diocese. O cardeal e arcebispo de Lyon garantiu ter tido conhecimento dos abusos cometidos pelo padre Bernard Preynat em 2014, quando se encontrou com uma das vítimas.

Polónia

Em agosto de 2013, o polaco Jozef Wesolowski, núncio na República Dominicana, foi destituído, e instaurada uma investigação no âmbito de outro padre polaco suspeito de crimes contra menores de idade.

Áustria

Após uma série de revelações, no início de 2010, de casos de abusos sexuais e maus tratos por sacerdotes, entre as décadas de 1960 e 1980, foi criada pela igreja uma comissão de inquérito. Foram identificados cerca de 800 casos e 8 milhões de euros concedidos às vítimas.

Bélgica

Em 2010, o bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, renunciou após admitir ter abusado sexualmente de dois dos seus sobrinhos. De seguida, milhares de testemunhos relataram casos de abuso sexual por monges belgas. Acusada de permanecer em silêncio, a hierarquia católica é alvo de um vasto inquérito judicial.

México

Este país protagonizou um dos casos mais graves e significativos, o do fundador da influente congregação ultra-conservadora Legionários de Cristo, o padre Marcial Maciel, punido e expulso, em 2006, do sacerdócio por Bento XVI por ter abusado de menores e ter tido uma vida tripla com duas mulheres e vários filhos.

Irlanda

No ano 2000, acusações de abusos sexuais cometidos durante décadas coloca em xeque a credibilidade das instituições católicas. Mais de 14500 crianças teriam sido vítimas. Vários bispos e padres, acusados de esconder esses atos, foram punidos.

Canadá

As revelações de abusos de crianças num orfanato, em Newfoundland (leste) nos anos de 1950 e 1960, provocaram um enorme escândalo, no final dos anos 1980. A hierarquia da igreja foi acusada de não ter denunciado os casos de pedofilia no seio da instituição.