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Vinte mortos em três dias no pesadelo de Paris

Vinte mortos em três dias no pesadelo de Paris

A polícia francesa lançou um ataque simultâneo e acabou com as duas crises de reféns que mantiveram França em suspenso durante o dia. A norte da capital, os irmão Kouachi foram mortos na gráfica em que estavam barricados desde manhã e o refém foi libertado são e salvo. No leste de Paris, na Porta de Vincennes, a polícia atacou um homem que tinha feito reféns num supermercado - quatro morreram e quatro ficaram feridos com gravidade. O presidente francês, François Hollande, lembrou que a ameaça ainda não terminou e o primeiro-ministro, Manuel Valls, reconheceu falhas de segurança. 20 pessoas morreram, em França, desde o início dos ataques, na quarta-feira, com a invasão da redação do "Charlie Hebdo". Passou quase despercebido, mas a sul de França, em Montpellier, um homem fez dois reféns. Acabou por render-se à polícia, que revela não existir relação com os outros atentados.

Cerca das 17 horas, (16 em Portugal continental), a polícia atacou a gráfica em Dammartin-en-Goële, onde se tinham refugiado os irmãos Kaouchi depois de terem sido perseguidos durante a manhã pela polícia. Tiros e explosões abriram caminho à polícia, que libertou, são e salvo, o refém e matou os terroristas. A ação policial foi precipitada pelos suspeitos, que abriram fogo contra as autoridades.

Quase em simultâneo, em Paris, a polícia atacou um supermercado kosher onde um homem tinha feito pelo reféns. O sequestrador, identificado como Amedy Coulibaly, foi morto pela polícia. Embora alguns dos reféns tenham sido libertados, a Reuters avança que quatro reféns morreram.

Amedy Coulibaly, é suspeito de ter assassinado, a tiro, uma mulher polícia, quinta-feira, na sequência de uma acidente de trânsito, em Montrouge, no sul de Paris. A polícia confirmou, esta sexta-feira, que Amedy, de 34 anos, faz parte da mesma célula terrorista dos irmãos Kaouchi.

No total, 17 pessoas morreram nos ataques dos últimos dias em França levados a cabo pelos dois irmãos e por Amedy. Os três extremistas foram abatidos pelas autoridades. Um dos suspeitos afirma que a al Qaeda do Iémen financiou a operação, mas o grupo apenas elogia a operação terrorista, sem reivindicar a sua autoria.

A al-Qaeda prometeu, esta sexta-feira, novos ataques em França num vídeo colocado na Internet e detetado pelo serviço norte-americano de vigilância de sítios islâmicos na Internet (SITE).

Numa mensagem vídeo, Harith al-Nadhari, especialista na sharia (lei islâmica) na Península Arábica, avisou que a população francesa "não estará em segurança, enquanto combater Alá e a sua mensagem aos crentes".

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Em comum, todos os suspeitos têm o facto de já serem conhecidos das autoridades, que os deixaram escapar.

O presidente francês, François Hollande, afirmou, esta sexta-feira, que a França "enfrentou" mas "ainda não pôs fim às ameaças de que está a ser alvo", após três dias de atentados que fizeram 17 mortos e 20 feridos.

O primeiro-ministro, Manuel Valls, mostrou-se preocupado com as "centenas de pessoas que viajam para a Síria ou para o Iraque" para serem "treinadas no terrorismo" e que depois regressam ao país.

Vários líderes muçulmanos franceses repudiaram publicamente os ataques, salientando que a violência não faz parte do islão.

Domingo, líderes europeus vão juntar-se a uma manifestação em homenagem às vítimas destes ataques.

França respira após três dias de terror

França respira agora de alívio, mas acordou em sobressalto com a notícia de uma perseguição policial. Os irmãos Kaouchi estavam em movimento e seguiam, num carro roubado, fortemente armados em direção a Paris. Acabaram por se refugiar numa empresa na localidade de Dammartin-en-Goële, com um refém.

Quando as atenções estavam centradas no que se passava em Dammartin-en-Goële, um novo tiroteio em Paris, o terceiro em três dias, deixou a capital francesa em sobressalto. Amedy Coulibaly atacou, de Kalashnikov, uma mercearia judaica na Porta de Vincennes e fez pelo menos cinco reféns.

Sirenes de ambulâncias e o ruído de helicópteros ecoaram em todo o bairro no leste da capital francesa, onde o tráfego foi cortado pela polícia, que ordenou, por precaução, o fecho de várias lojas no bairro de Marais, uma zona tipicamente judaica no coração do principal distrito turístico de Paris.

Alunos escoltados e milhares de cidadãos "cercados" pela polícia

Alunos refugiados em escolas vigiadas por polícias, ou crianças da pré-escola a serem escoltadas por agentes fortemente armados são imagens que ilustram o dia de horror e tensão vivido em Paris, uma cidade que esteve refém dos atos de terror de quatro pessoas, três homens, com ligações a uma mesma célula radical islamita francesa, e uma mulher, a companheira de Amedy, identificada como Hayat Boumeddiene, que terá participado no ataque de quinta-feira que vitimou uma mulher polícia, e cujo paradeiro é desconhecido.

Cerca de 40 quilómetros a norte da capital francesa, os cerca de oito mil habitantes estiveram "cercados" por milhares de polícias, que montaram cerco aos irmãos Kalouchi, que se haviam barricado numa empresa em Dammartin-en-Goële. Durante o dia, foram aconselhados a permanecer em casa e manter as luzes apagadas e os alunos ficaram retidos nas escolas até ser seguro saírem.

Clima de histeria e informações contraditórias

Num clima de alguma histeria, com muitas informações contraditórias, chegou a ser noticiada a evacuação da estação de comboios do Trocadero, um dos mais importantes pontos turísticos franceses. Informação entretanto desmentida pela autarquia local.

Houve notícia de ataques a mesquitas, durante a noite, com sementes de ódio religioso a germinarem em pontos pequenos e específicos da sociedade francesa.

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