Política

Violência contra mulheres abala Esquerda francesa

Violência contra mulheres abala Esquerda francesa

Os partidos da Esquerda francesa enfrentam uma crise, depois de dois deputados terem sido acusados de violência contra as mulheres.

Depois de, no domingo, Adrien Quatennens, do movimento de Esquerda França Insubmissa, ter admitido ter esbofeteado a mulher e, em consequência, renunciado ao cargo de coordenador do partido, a crise chegou a Julien Bayou. O deputado do Groupe Écologiste foi suspenso como co-líder parlamentar do partido verde, na sequência de acusações de que teria cometido abuso psicológico sobre a ex-companheira, avança a imprensa francesa.

Quatennens, 32 anos, era, até agora, um deputado proeminente visto como um potencial sucessor de Jean-Luc Mélenchon na liderança da França Insubmissa. Mas as acusações de violência sobre a mulher e a posterior assunção de culpa deitaram por terra um eventual crescimento na vida política e danificaram também a imagem do próprio Mélenchon, cuja reação inicial provocou indignação. Isto porque o presidente do partido de esquerda começou por saudar a "dignidade e coragem" de Quatennens, numa publicação divulgada nas redes sociais, em que reforçava a confiança no deputado. Só mais tarde reconheceu expressamente o sofrimento causado à vítima, considerando que uma bofetada é inaceitável em todos os contextos.

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No caso de Julien Bayou, as acusações surgiram pela primeira vez em julho, mas só tiveram efeitos políticos vários meses depois: o deputado foi suspenso da liderança do partido ecologista depois de, na segunda-feira, uma colega ter sido questionada sobre as supostas agressões em direto na televisão e de o caso ter gerado uma onda de indignação entre ativistas dos direitos das mulheres. Bayou acabou afastado, com o Groupe Écologiste a justificar a decisão coletiva com as "questões legítimas" levantadas por mulheres, feministas e vítimas perante um padrão comportamental que terá "quebrado" a saúde mental de uma mulher, no caso a ex-parceira do político.

Partidos debaixo de fogo

De todos os quadrantes políticos chegaram críticas aos dois partidos em causa, que fazem parte de uma aliança de esquerda-verde, a Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), e que garantiram mais de um quarto dos votos nas eleições parlamentares de junho, privando Emmanuel Macron da maioria na Assembleia Nacional.

A aliança de Esquerda foi acusada de "total hipocrisia" pelo Rally Nacional (antiga Frente Nacional), de extrema-direita, por causa da sua posição sobre a violência baseada em género, com o porta-voz Jordan Bardella a apontar o dedo a um movimento que se faz passar por "modelo de virtude". E a primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, em reação aos comentários de Mélenchon, considerou "extremamente chocante" a minimização da violência doméstica.

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