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Vítimas apresentam queixa contra bancos que tinham contas com Epstein

Vítimas apresentam queixa contra bancos que tinham contas com Epstein

Duas mulheres que apresentaram queixa por abusos sexuais contra Jeffrrey Epstein deram entrada com processos em tribunal contra dois bancos. Acusam o JP Morgan Chase e o Deutsche Bank de ignorar os alertas em relação ao financeiro e de terem beneficiado com o alegado tráfico sexual promovido por Epstein.

Os casos foram apresentados em Nova Iorque na terça-feira, noticia o "Wall Street Journal". Chegam ao tribunal pelas mãos de advogados que representa dezenas de mulheres que acusam Epstein dos crimes de violação, abuso sexual e tráfico de pessoas para fins sexuais. O financeiro morreu na prisão, em circunstância ainda não totalmente esclarecidas, em 10 de agosto de 2019, aos 66 anos, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Mais de uma década antes tinha sido condenado por solicitação de prostituição com menor, crime pelo qual foi registado como agressor sexual. Quando morreu, detido sem direito a fiança, estava acusado de operar "uma vasta rede" de tráfico de menores para atividades sexuais, e tinha amigos como o príncipe André, do Reino Unido, ou os ex-presidentes dos EUA Bill Clinton e Donald Trump.

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Na queixa contra o JP Morgan Chase, a vítima alega que o banco sabia que as contas eram usadas para para tráfico de pessoas, atendendo à identidade dos indivíduos que movimentavam grandes somas em dinheiro. A mulher, uma bailarina que diz ter sido abusada por Epstein e associados entre 2006 e 2013, refere, ainda, que aquela prestigiada instituição bancária tinha conhecimento do "bem documentado cadastro" do financeiro.

Noutro processo em separado, apresentado contra o Deutsche Bank, uma mulher argumenta que Epstein se virou para aquele banco germânico quando cortou laços com o JP Morgan, por volta de 2013. Segundo a queixosa, que diz ter sido traficada para fins sexuais durante 15 anos, o banqueiro pagava em dinheiro, por vezes, às mulheres.

O processo cita, também, informações do regulador bancário de Nova Iorque, que seriam do conhecimento dos alemães. "Apesar de ter classificado corretamente Epstein como um cliente de alto risco, o banco falhou em escrutinar a atividade e as contas em relação ao tipo de atividades evidentemente influenciadas pelo passado" do financeiro.

O Deutsche Bank admitiu, no passado, que tinha cometido "um erro grave" ao aceitar Epstein como cliente, mas agora parece ter outra visão. "Acreditamos que esta queixa tem pouco mérito e vamos apresentar os nossos argumentos em tribunal", disse um porta-voz daquele banco, citado pela BBC.

"Epstein e os conspiradores associados não poderiam ter feito tantas vítimas sem a ajuda de pessoas ricas e instituições financeiras. Não vamos deixar de lutar pelos sobreviventes até que todas as pessoas sejam responsabilizadas. Este é um grande passo, mas não é o fim", disse um dos advogados envolvidos no processo, Bradley Edwards.

"É tempo de os verdadeiros facilitadores serem responsabilizados, especialmente os amigos ricos e as instituições financeiras que tiveram um papel importante" na atividade de Epstein, acrescentou aquele advogado.

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