EUA

Vitória de Biden certificada. Mas e a democracia? Em que estado fica?

Vitória de Biden certificada. Mas e a democracia? Em que estado fica?

Democratas querem "impeachment" do presidente a 12 dias do fim do mandato. Trump admite "transição ordeira".

É oficial e está certificado: Joe Biden será o próximo presidente dos Estados Unidos da América. Eram 3.40 horas da madrugada em Washington, 8.40 em Portugal, quando o Congresso certificou a vitória do democrata no escrutínio de 3 de novembro. Ultrapassada a violência e o caos instalados pelos fiéis seguidores de Donald Trump, presidente cessante, que, na quarta-feira, numa atitude sem precedentes, invadiram e ocuparam o Capitólio pouco depois do início da sessão de ratificação, o vice-presidente, Mike Pence, voltou a liderar a sala do Senado e mostrou que, sem fundamentos legais, não se pára o processo de transição presidencial. Mas o dano estava feito.

À custa da raiva alimentada pelas palavras infundadas de Trump, que, desde que perdeu, não se escusou em alegar fraude eleitoral e em pedir aos apoiantes para "recuperarem o que lhes pertence", pessoas morreram e dezenas ficaram feridos. O Congresso foi vandalizado e a democracia norte-americana fragilizada pela extrema-direita.

A Trump, custou-lhe a demissão de oito funcionários da sua Administração, incluindo a secretária dos Transportes, Elaine Chao, casada com o líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, que, no Congresso, criticou fortemente os membros do partido por usarem "teorias da conspiração" para apoiar Trump, e Matthew Pottinger, vice-conselheiro da segurança nacional.

Terrorismo doméstico

"Este dia [quarta-feira] é um lembrete, doloroso, de que a democracia é frágil. Para preservá-la, é necessário pessoas com boa vontade, líderes com coragem, que estejam dedicados não a perseguir o poder e os interesses pessoais, mas, sim, o bem comum", escreveu Biden na página da rede social Twitter, depois de ter assistido ao que classificou como "insurreição sem precedentes".

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O presidente eleito não fez comentários à confirmação, mas, durante a cerimónia em que apresentou os nomeados para o Departamento de Justiça, Biden classificou os manifestantes como "terroristas domésticos".

Sem nunca reconhecer a gravidade da "revolução" por ele instigada e insistindo que "discorda totalmente com o resultado das eleições", Trump prometeu, nas suas páginas nas redes sociais, uma "transição ordeira". Mas a verdade é que os obstáculos continuam a surgir.

A Casa Branca recusou-se, até ao momento, a pedir a exoneração dos seus embaixadores e outros nomeados políticos. O trabalho de Trump é apenas o de emitir uma ordem para aquelas cartas de demissão. Mas sem ter para onde se virar, e calado pelas redes sociais, o republicano assume nova afronta ao novo Executivo, refere o jornal "The New York Times".

A invasão à "cidadela da liberdade" - nome dado ao Capitólio por Biden - poderá ter custado a Trump ainda mais inimigos. Políticos e empresários pediram a demissão imediata do republicano, mesmo faltando 12 dias para o término do mandato.

25.ª emenda ponderada

A democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, anunciou que o Congresso abrirá um processo de destituição caso Pence se recuse a recorrer à 25.ª Emenda - ler texto na página 28 - para remoção de Trump do cargo. Ação anteriomente também pedida por Chuck Shumer, líder dos democratas no Senado.

Além disso, no Partido Republicano, completamente fraturado, há quem assuma a necessidade de se invocar a 25.ª Emenda. É o caso de Adam Kinzinger, membro da Câmara dos Representantes pelo Illinois. "Foi o presidente que desencadeou isto, ele não está apto a continuar no cargo, não se encontra bem", escreveu, num comunicado colocado no Twitter.

A Biden, que se tem mantido fora dos holofotes e tem sido discreto quanto ao assunto, resta agora voltar a juntar as peças de uma democracia que foi despedaçada durante quatro anos.

Quatro mortos na invasão

A invasão ao Capitólio não causou apenas danos materiais. Pelo menos quatro pessoas - dois homens e duas mulheres - morreram na sequência dos confrontos entre manifestantes e a Polícia. Para proteger congressistas e para conter os tumultos, os agentes, que foram atacados com produtos químicos, viram-se obrigados a usar armas de fogo. Além da morte dos quatro civis, mais de meia centena de agentes das forças de segurança do Capitólio e de Washington ficaram feridos, tendo vários deles sido hospitalizados em estado grave.

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