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François Hollande

Vitória de Hollande seria má para mercados mas boa para Portugal

Vitória de Hollande seria má para mercados mas boa para Portugal

O historiador da moeda única David Marsh prevê que a possível vitória do socialista François Hollande nas presidenciais francesas irá abanar a zona euro, desestabilizar os mercados e beneficiar Portugal.

"Hollande vai defender a ideia de que os alemães e outros países credores devem ser mais generosos em relação aos países devedores", disse, David Marsh, que escreveu a que é, até agora, agora, a única história do euro.

"Mas os países devedores devem ter cuidado ao aceitar uma aliança demasiado forte com Hollande, porque a única forma real de recuperarem o respeito é continuarem a implementar, de forma estável, estes programas mais duros de reformas", afirmou o historiador britânico, em entrevista à Lusa.

"Até poderá haver uma campanha de sedução de Hollande a países como Portugal, mas seria muito cedo para os portugueses dizerem 'agora temos em Hollande um novo aliado, podemos relaxar as nossas metas'. É bom ter amigos e aliados, mas é melhor manterem-se do lado dos alemães, o verdadeiro poder na Europa", acrescentou.

Marsh, além de escrever para publicações económicas como o 'Financial Times', preside também ao Fórum das Instituições Monetárias e Financeiras Oficiais, que reúne líderes de bancos centrais, fundos soberanos e políticos e empresários do setor financeiro.

Para o britânico, se Hollande vencer a segunda volta das eleições francesas, no domingo, é de esperar impactos na moeda única porque, afirmou, o candidato socialista "diz alto o que muitos dizem baixinho", que a Europa não tem agenda de crescimento, sem a qual não poderá existir o facto orçamental, e que a austeridade está ser demasiada.

"Hollande condiciona a aprovação e ratificação do pacto fiscal a esta agenda de crescimento e isso afetará, com certeza, a moeda única", previu.

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"A questão é que influência real terá Hollande, porque não há grande amor entre ele e a chanceler alemã Angela Merkel, que apoiou Sarkozy e que se recusou, no princípio de março, a encontrar-se com o candidato socialista", referiu o historiador.

Se Hollande vencer, as relações do eixo Paris-Berlim vão arrancar com o pé esquerdo, disse Marsh, que admite que essa disputa acabe por beneficiar Portugal.

"Os mercados vão ainda ficar mais inseguros quanto ao futuro do euro do que aquilo que já estão, mesmo que França e a Alemanha estejam destinados a fazer as pazes e chegar a políticas comuns. Mas haverá perturbações até que o consigam, o que enfraquecerá o euro, e isso é bom para países como Portugal, que ganham competitividade", considerou.

Contas feitas, para Marsh, do ponto de vista dos mercados e da estabilidade da moeda única, não há que lamentar a possível entrada de Hollande e a saída do atual Presidente, Nicolas, Sarkozy, que o historiador diz que "ficará na história como um dos mais esquecíveis líderes de qualquer país europeu".

Sarkozy, considerou, quebrou a maioria das promessas, desde a liberalização da economia francesa à manutenção do 'rating' máximo de AAA.

Marsh disse que, caso vença, Hollande terá de cumprir as promessas de campanha para aumentar os impostos dos que mais ganham, o que poderá causar fuga de capitais de França, e deverá honrar a promessa de reduzir, em áreas específicas, a idade da reforma, mas ainda assim poderá surpreender os mercados.

"Com a herança de Sarkozy, podemos pensar que Hollande será um bom homem de Estado. Ele tem tido pose de Estado, nada radical e, por isso, os mercados talvez tenham surpresas positivas, desde que não embarque em aventuras e fantasias socialistas. Ele tem os pés muito assentes na terra", considerou o historiador.

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