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Pandemia

Voluntários desistem dos ensaios clínicos de vacinas por já existirem outras eficazes

Voluntários desistem dos ensaios clínicos de vacinas por já existirem outras eficazes

Existem centenas de vacinas contra a covid-19 ainda em desenvolvimento, que estão a enfrentar um sério problema: a falta de voluntários. Após a comprovada eficácia e posterior autorização de vacinas da Pfizer, Moderna e Astrazeneca, ninguém quer arriscar o certo pelo incerto.

Para que o mundo se livre da pandemia da covid-19 é necessário que muitos mais laboratórios produzam vacinas contra o vírus SARS-CoV-2. Atualmente, há 60 vacinas em fase de teste e outras 170 a caminho desse patamar. Para conseguir a erradicação da covid-19, todo o Mundo terá de estar protegido contra a doença, e além dos cuidados pessoais como o uso de máscara, a vacina é apresentada como a solução mais duradoura. Ora, após a eficácia comprovada de laboratórios como Pfizer, Moderna e Astrazeneca, cujas vacinas são já administradas em vários países, há voluntários que estão a desistir dos testes de outras vacinas, aponta o jornal espanhol "El País", num artigo com o título "Ninguém quer placebo".

Um dos casos mais flagrantes é a Novavax, empresa norte-americana de desenvolvimento de vacinas, que iniciou a terceira fase de testes em dezembro do ano passado, com cerca de 30 mil voluntários nos Estados Unidos e no México. De acordo com o "El País", muitos dos participantes, onde se incluem profissionais de saúde, idosos e pessoas com doenças respiratórias graves, estão a "desertar em massa" porque preferem receber a vacina da Pfizer, agora que sabem que funciona. A partir do momento em que recebem a vacina de outro laboratório, os voluntários não podem participar no teste de outra empresa.

Apesar de já existirem vacinas eficazes, isto não significa que as que estão em desenvolvimento sejam menos seguras do que as primeiras. De facto, a vacina da Novavax pode ser um dos volte face na distribuição rápida da proteção contra a covid-19. Ao contrário da Pfizer e da Moderna, a vacina da empresa norte-americana pode ser armazenada entre 2º e 8º graus. Os outros dois laboratórios têm de "guardar" as vacinas a temperaturas negativas.

A Novavax administra a vacina em duas doses com um intervalo de três semanas, sendo que dois terços dos voluntários são inoculados com a dita vacina e um terço com o placebo. Nem o participante ou o médico sabe quem recebeu o placebo, pelo menos não nesta fase. O mesmo aconteceu com a vacina da Pfizer. Apenas com a administração do placebo (substância neutra usada num ensaio clínico), é possível saber se uma vacina é realmente eficaz, uma vez que só assim se poderá comparar o estado de saúde dos voluntários.

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A União Europeia tem atualmente contratos de aquisição com cinco farmacêuticas: AstraZeneca/Oxford, Johnson & Johnson, Sanofi-GSK, Moderna e CureVac. A negociação ainda prossegue com a Novavax, que continua a recrutar voluntários em várias universidades dos EUA.

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