Espanha

Vox arrasta PP e Cidadãos para proposta repudiada pela esquerda

Vox arrasta PP e Cidadãos para proposta repudiada pela esquerda

A extrema-direita (Vox) está a marcar a reta final da campanha eleitoral em Espanha ao arrastar PP (direita) e Cidadãos (direita-liberal) para uma proposta que pede a ilegalização dos partidos independentistas repudiada por toda a esquerda.

O parlamento da comunidade autónoma de Madrid aprovou, na quinta-feira ao fim do dia, com o apoio do PP e Cidadãos, uma proposta não legislativa do Vox que insta o Governo nacional a proibir os partidos separatistas que atentem contra a unidade da Espanha.

Esta sexta-feira, último dia da campanha eleitoral, o candidato socialista e primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez, considerou o texto aprovado como uma "deriva reacionária muito perigosa".

Em declarações à rádio Cadena Ser, Sanchez afirmou que esta iniciativa levantada pelo Vox e apoiada pelo PP e Cidadãos é um exemplo de que a extrema-direita "está a arrastar" os outros dois partidos no discurso "contrário à Constituição e à transição" democrática espanhola.

"Propor a ilegalização daqueles que não pensam como eles é uma deriva reacionária muito perigosa", disse o dirigente socialista.

A iniciativa é meramente simbólica, mas tem uma grande carga política a dois dias das eleições que se realizam no domingo, 10 de novembro.

A legislação espanhola proíbe a publicação de sondagens desde segunda-feira, mas todos os partidos espanhóis estão inquietos com a possibilidade de o Vox mais do que confirmar a subida que até esse dia indicavam os estudos de opinião.

As sondagens publicadas até ao início da semana mostravam um aumento importante do número de deputados eleitos pelo Vox, que poderia passar a ser a terceira maior força política no parlamento nacional, a seguir ao PSOE e ao PP.

Apesar de as previsões darem um aumento de apenas três pontos percentuais ao Vox, para cerca de 14%, o número de assentos parlamentares do partido poderia duplicar, em relação aos atuais 24 lugares.

Esta formação ultranacionalista e anti-imigração já foi essencial nos últimos meses para que coligações entre o PP e o Cidadãos subissem ao poder em várias comunidades autónomas, como na Andaluzia, Madrid e Múrcia.

A situação na Catalunha, onde existe um forte movimento independentista, tem dominado a campanha eleitoral, com os partidos de direita a pedirem uma política mais firme que poderia ir até à suspensão da grande autonomia que a região goza.

O Governo socialista tem endurecido a sua posição inicial, que favorecia o diálogo, mas recusa tomar as medidas excecionais pedidas pela oposição de direita.

Os movimentos independentistas estão em maioria no parlamento regional desde 2015 e promoveram, em outubro de 2017, uma tentativa de autodeterminação do território que foi travada pelo anterior Governo, liderado por Mariano Rajoy (PP).

A leitura da sentença em meados de outubro a condenar 12 líderes políticos separatistas envolvidos na tentativa de independência teve como consequência o aumento da contestação, com violência, na região.