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"Xamã QAnon" que invadiu o Capitólio declara-se culpado

"Xamã QAnon" que invadiu o Capitólio declara-se culpado

O homem que invadiu o Capitólio dos Estados Unidos da América (EUA), em Washington, em janeiro, que se evidenciou por pinturas na face e um gorro com chifres, declarou-se sexta-feira culpado por obstrução.

O autodominado "Xamã QAnon" está detido há quase oito meses pediu para ser libertado enquanto aguarda a sentença, agendada para 17 de novembro.

Jacob Chansley, que foi amplamente fotografado na sala do Senado com uma lança e a bandeira dos EUA, pode ser condenado entre 41 e 51 meses de prisão, disse um procurador.

Antes de entrar com a ação judicial, Jacob Chansley foi considerado mentalmente estável, por um juiz, depois de ter sido transferido para uma clínica do Colorado para avaliar a sua saúde mental.

O advogado Albert Watkins disse que o confinamento solitário que o seu cliente enfrentou, durante a maior parte do tempo na prisão, teve um efeito adverso na sua saúde mental e o tempo que passou no Colorado ajudou-o a recuperar.

"Estou muito grato pela disposição do tribunal em ter examinado as minhas vulnerabilidades mentais", disse Jacob Chansley, antes de se confessar culpado por obstrução.

No entanto, o juiz distrital dos EUA, Royce Lamberth, está a considerar o pedido de Jacob Chansley para ser libertado enquanto espera pela sentença.

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O homem que agora se declara culpado pela invasão ao Capitólio, em 06 de janeiro, estava na primeira fila de manifestantes pró-Trump, gritando palavras de ordem num megafone e referindo-se ao então vice-presidente Mike Pence como "um traidor".

A imagem de Jacob Chansley com a face pintada com as cores da bandeira norte-americana, em tronco nu e a gritar foi um dos primeiros elementos marcantes a despontar do protesto.

Albert Watkins disse ainda que o seu cliente foi "terrivelmente apaixonado" por Donald Trump e acreditou, como outros manifestantes, que o antigo presidente republicano o convocou para aparecer no Capitólio, mas depois sentiu-se traído este ter-se recusado em conceder-lhe perdão pelo ataque.

Jacob Chansley está entre as cerca de 600 pessoas acusadas no motim que obrigou os congressistas a esconderem-se, quando estavam reunidos para certificar a vitória do colégio eleitoral do presidente eleito, Joe Biden.

Já 50 pessoas se declararam culpadas pela participação no ataque ao Capitólio, a maioria acusada por desobediência.

Até agora, apenas um arguido foi punido, após se ter declarado culpado.

Paul Hodgkins, um operador de guindaste, no estado da Florida, que violou sala do Senado empunhado uma bandeira da campanha de Donald Trump, foi condenado em julho a oito meses de prisão, depois de se ter declarado culpado por obstrução de um processo oficial.

As autoridades estimam que em 06 de janeiro cerca de 10 mil pessoas marcharam em direção ao Capitólio e cerca de 800 invadiram o edifício.

Cinco pessoas morreram e cerca de 140 polícias foram atacados por manifestantes pró-Trump.

Na ocasião, cerca de 600 pessoas foram indiciadas por acusações relacionadas ao ataque, incluindo 165 acusados de crimes de agressão às autoridades.

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