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Xanana Gusmão considera que morte de Kadafi não resolve problemas

Xanana Gusmão considera que morte de Kadafi não resolve problemas

A morte do ex-líder líbio Muammar Kadafi foi já comentada por diversos líderes mundiais. Entre eles, Xanana Gusmão, primeiro-ministro de Timor-Leste, afirmou, esta sexta-feira, que a sua morte não vai resolver os problemas daquele país.

"Só espero que todas as forças intervenientes na Líbia não pensem que a morte no Kadhafi é o fim de tudo", afirmou Xanana Gusmão no aeroporto de Díli, proveniente do Sudão do Sul, onde realizou uma visita oficial.

Para Xanana Gusmão, as "expectativas são enormes" e, portanto, a "morte de Kadafi é igual à prisão de Mubarak que é igual à morte de Saddam Hussein".

"O problema não se resolve com a morte deles, o problema é cada povo, tanto na Tunísia, como na Líbia , como no Egipto aprenderem as lições do Iraque e ver se chegam a um consenso para resolverem os problemas nacionais", disse.

Por seu turno, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que a morte do líder deposto "o início de uma nova era" para o povo líbio.

A Líbia entrou "numa nova Era" com a morte de Kadhafi, mas "pagou um elevado preço pela mudança" segundo um comentário difundido, esta sexta-feira, pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua (Nova China), onde se refere que ainda "é cedo para celebrar".

"Há razões para permanecer cauteloso ou, pelo menos, não demasiado optimista. Ninguém tem ilusões quanto a uma rápida e fácil solução das tremendas dificuldades que aí vêm", diz o comentário, salientando que a guerra civil na Líbia "paralisou completamente a economia" do país, "libertou forças tribais" e "causou pesadas baixas".

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Lembrando o Iraque após a morte de Saddam Hussein, o comentário refere que "muitos dos iraquianos que celebraram a queda de seu antigo líder, estão agora sujeitos a frequentes ataques bombistas e suicidas" e que "o país caiu num sangrento facciosismo".

A morte do antigo ditador líbio domina a primeira página desta sexta-feira dos jornais oficiais chineses de língua inglesa, China Daily e Global Times, cuja manchete é idêntica: "Kadafi morto".

A China já apelou a uma "transição política unitária" e à preservação da "unidade nacional" na Líbia após a morte de Muammar Kadafi.

"Esperamos que a Líbia possa estabelecer, o mais rapidamente possível, um processo de transição político unitário, preservar a sua unidade étnica e nacional e manter a estabilidade social", disse a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Jiang Yu, na primeira reacção à morte de Kadafi.

A China absteve-se na votação da resolução do Conselho de Segurança da ONU que impôs uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia , em Março passado, e ao abrigo da qual a NATO interveio naquele país.

"Opomo-nos ao uso da força militar nas relações internacionais e temos sérias reservas sobre parte do conteúdo da resolução", diz na altura o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Jiang Yu.

Por seu turno, Hillary Clinton, que falava numa conferência de imprensa em Islamabad, saudou "a vontade dos líbios de construírem uma nova democracia" e sublinhou que os Estados Unidos continuam "comprometidos para com eles" nessa via.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, lamentou a morte do ex-líder líbio dizendo tratar-se de "mais um atropelo à vida" e sublinhando que o seu antigo aliado será recordado como um mártir.

"Lamentavelmente confirmou-se a morte de Kadafi. Assassinaram-no. [É] um atropelo mais à vida. Recordá-lo-emos toda a vida como um grande lutador, um revolucionário e um mártir", disse.

Hugo Chávez falava aos jornalistas em La Grita, uma localidade do Estado de Táchira, na fronteira colombo-venezuelana, onde participou numa cerimónia de acção de graças ao Santo Cristo para agradecer a recuperação da sua luta contra um cancro.

Para o presidente da Venezuela, Muammar Kadafi era um amigo a quem incentivava a resistir às "agressões imperialistas" da NATO, que dizia impulsionadas por potências internacionais que se querem apoderar do petróleo líbio.

"Esta história da Líbia está apenas a começar (...) O império 'yankee' (norte-americano) não poderá dominar o mundo. O mais lamentável é que no seu empenho para dominar o mundo o império e os seus aliados o estejam a incendiar", frisou.

O ex-líder líbio Muammar Kadafi foi morto, esta quinta-feira, em Sirte, pelas forças rebeldes que desde Fevereiro combatiam o regime, confirmou o Conselho de Transição líbio.

O Tribunal Penal Internacional tinha lançado contra Kadafi e contra um dos seus filhos, Seif Al-Islam (detido quinta-feira), um mandado de captura "por crimes contra a humanidade".

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