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"Xixi" dos foliões é o maior desafio do Carnaval do Rio

"Xixi" dos foliões é o maior desafio do Carnaval do Rio

Na era da sustentabilidade, a patrocinadora oficial do carnaval de rua do Rio de Janeiro, uma marca de cerveja brasileira, precisa lidar com a difícil tarefa de "gerir" um dos seus subprodutos: o "xixi" dos foliões.

O secretário de Turismo do Rio de Janeiro, António Pedro, confirma, sem constrangimentos, que o maior problema enfrentado pelas autoridades na gestão do carnaval de rua - que reúne cerca de cinco milhões de pessoas - é mesmo a "logística do xixi".

"Ainda bem que o maior problema do carnaval de rua do Rio de Janeiro é o xixi. É uma festa com milhões de pessoas e conseguimos celebrá-la sem incidentes graves. O xixi é um santo problema", brincou, ao anunciar a programação oficial para os festejos deste ano.

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Os blocos de rua fazem parte do lado mais despojado e democrático da grande festa brasileira e realiza-se em diferentes pontos da cidade, bem longe dos desfiles pomposos das escolas de samba, no Sambódromo, onde é preciso pagar para entrar e o espaço é limitado.

Junto com o renascimento da cultura do carnaval de rua, a partir de 2009, surgiu, no entanto, o problema da gestão da sujidade - tanto o lixo, como latas de cerveja, garrafas e copos de plástico, quanto o xixi, agravado pela falta de casas de banho públicas.

No caso de grandes blocos o problema é muito mais grave, já que o número de pessoas nas ruas pode ultrapassar os dois milhões de pessoas.

A solução encontrada foi a instalação de casas de banho químicas. O número cada vez maior de cabines necessárias fez com que a prefeitura procurasse um patrocinador privado, que acabou por ser uma marca do setor que mais se relaciona com o problema, a cerveja.

"O xixi é um subproduto da cerveja e o investimento nos banheiros (casas de banho) é um investimento social que a 'Boa' [Antártica] faz", afirma o secretário de Turismo.

O número de cabines ofertadas passou de 6.000, em 2009, para 16.200, este ano, segundo dados da marca patrocinadora.

O número refere-se à quantidade de "posições", como os organizadores preferem chamar, uma vez que uma mesma cabine serve, num mesmo dia, para dois ou três blocos, uma vez que é transportada de um ponto a outro.

No entanto, apesar deste aumento, a oferta de locais para os foliões se "aliviarem" não é suficiente.

Este ano, 492 blocos foram inscritos na Prefeitura para desfilar, um aumento de 15% em relação aos 425 do ano passado.

O "sonho" das autoridades cariocas passa por conseguir consciencializar cariocas e turistas a não fazerem xixi nas ruas.

Entre as tentativas dos últimos anos, está o aumento na fiscalização e o início da detenção daqueles que forem apanhados em flagrante. Como não há legislação específica, a repreensão é enquadrada na lei que proíbe o ato obsceno em locais públicos.

Na prática, o "prevaricador" acaba por ser libertado em seguida, mas fica o registo da ocorrência na delegacia e caso cometa algum deslize no futuro, já será tratado como alguém com cadastro na polícia.

Entre as outras ações de sensibilização, estão campanhas televisivas com atores famosos de telenovelas, que apelam para que se "curta" o carnaval "com boas maneiras".

Na campanha deste ano, artistas da "Globo", emissora de maior audiência no país, aparecerão a cantar 'marchinhas' de carnaval com letras que condenam o vandalismo e o "xixi" nas ruas, além de apelar para que quem beba não conduza.

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