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YouTube, Facebook e TikTok lucram milhões com vídeos de maus-tratos a animais

YouTube, Facebook e TikTok lucram milhões com vídeos de maus-tratos a animais

As redes sociais Facebook, YouTube e TikTok estão a receber milhões de dólares com a partilha de vídeos que exibe conteúdo de animais a serem torturados e mutilados. Indonésia e EUA são dos países que mais produzem este tipo de conteúdo.

Segundo um estudo desenvolvido por um conjunto de organizações de defesa dos animais da Ásia, "Asia For Animals Coalition", estima-se que a rede social YouTube ganhou até 12 milhões de dólares com a visualização e a partilha dos vídeos e os criadores deste conteúdo receberam quase 15 milhões de dólares. Também empresas e organizações lucraram com a presença de anúncios neste tipo de vídeos.

Os autores do estudo revelaram que foram "documentadas imagens chocantes de animais selvagens individuais mantidos como animais de estimação e abusados repetidamente diante as câmaras. Gatos bebés e outros animais jovens foram incendiados enquanto os criadores se riam", acrescentando que "enterros com animais vivos, afogamentos parciais, espancamentos e tortura psicológica também foram documentados".

As organizações encontraram 5480 endereços de internet que remetiam para vídeos onde animais eram maltratados, entre julho do ano passado e agosto deste ano. Os vídeos eram publicados como conteúdo de entretenimento e receberam cerca de 5,3 mil milhões de visualizações.

O YouTube é a rede social que apresenta vídeos com conteúdo mais cruel contra os animais, como é o caso de vídeos da Tailândia que mostram um cão a ser esmagado por uma cobra pitão, de maneira a que os criadores conseguissem encenar um resgate. No caso do Facebook, a rede social tem ainda permitido partilhar este tipo de vídeos sem ser detetado o conteúdo, depois de a plataforma ter censurado todos os vídeos que transmitiam maus-tratos a animais.

Indonésia, EUA, Austrália, Camboja, África do Sul e Coreia do Sul são listados no estudo como sendo os países onde há uma maior produção destes vídeos, em que utilizam macacos bebés a serem enterrados vivos ou a serem torturados, gatos bebés a serem pisados ou incendiados, pessoas a comerem animais vivos e cães e patos a serem esmagados por cobras.

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Alan Knight, diretor-executivo da organização "International Animal Rescue", apontou que "é imperdoável que as empresas de redes sociais façam vista grossa às cenas doentias de abuso animal publicadas nas suas plataformas. É responsabilidade moral destas empresas de reprimir o conteúdo que mostra animais forçados a sofrer por entretenimento e ganho financeiro".

"Não há dúvidas que estas empresas de redes sociais têm o poder de remover estes vídeos e é repreensível que ainda não o tenham feito. Estão a alimentar os instintos mais básicos de uma minoria depravada e devem ser negados pelas plataformas e pelo público", acrescentou Knight.

Também Nick Stewart, responsável pela organização "World Animal Protection", referiu que "a exploração da vida selvagem está a acontecer numa escala monumental e está a impactar o bem-estar de milhares de milhões de animais", acrescentando que é necessário "chamar as empresas que são cúmplices desta exploração e exortá-las a assumir a responsabilidade por uma solução".

As organizações da "Asia For Animals Coalition" estão a pedir para as plataformas do YouTube, Facebook e TikTok começarem a trabalhar com especialistas para desenvolverem sistemas de monitorização mais "robustos" para identificarem e removerem o conteúdo cruel, sem dependerem da ação dos utilizadores para denunciarem o conteúdo dos vídeos.

Um porta-voz da rede social TikTok revelou que não podem "comentar os detalhes deste caso, porque não vimos os casos específicos, no entanto, como princípio geral, as nossas diretivas da comunidade deixam claro que não toleramos crueldade contra animais na plataforma e tomamos medidas quando as pessoas violam essas regras, como bani-las permanentemente da plataforma".

"Usamos uma combinação de tecnologia e moderação humana para identificar e remover conteúdo que viola as diretivas da comunidade", acrescentou o porta-voz da rede social, apontando que as diretivas proíbem "crueldade e sangue contra animais" e "restos de animais desmembrados, mutilados, carbonizados ou queimados" e até o abate de animais.

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