Espanha

Zapatero sai e deixa porta aberta à maioria de Direita

Zapatero sai e deixa porta aberta à maioria de Direita

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, oficializou, esta segunda-feira, a convocatória de eleições para 20 de Novembro. Espanha traça agora o balanço de sete anos de reformas polémicas e, segundo uma sondagem, abre-se espaço para uma maioria de Direita.

"O rei acaba de rubricar o real decreto de convocatória de eleições gerais, que, de acordo com o artigo 115 da Constituição, mereceu o apoio favorável do Conselho de Ministros", disse José Luis Zapatero aos jornalistas. O decreto é publicado terça-feira no Boletim Oficial de Estado (BOE). Tudo a postos para o arranque da campanha eleitoral marcado para 4 de Novembro.

Mesmo perante a dissolução do Parlamento, Zapatero comprometeu-se a adoptar, "se necessário", novas medidas contra a crise económica do país. Assim, foram validados seis decretos-lei e aprovada uma reforma constitucional para impor um limite ao défice, texto que, hoje, é "ratificado por Juan Carlos", precisou.

12 leis aprovadas num mês

Em conferência de Imprensa, o primeiro-ministo sublinhou a aprovação de 12 leis em apenas um mês, entre as quais "as de reconhecimento e protecção integral das vítimas do terrorismo, de saúde pública, de agilização processual e de integração do regime especial agrário no regime geral da Segurança Social".

"Hoje não é um dia de balanço. É o dia em que se abre o tempo político dos candidatos e das forças políticas", disse Zapatero. Contudo, o balanço de sete anos de reformas que acabaram por ter grande impacto na legislatura dominou a Imprensa espanhola desta segunda-feira.

As leis que permitiram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a carta de condução por pontos, as limitações ao fumo do tabaco em espaços públicos ou a lei da memória histórica foram algumas das mais polémicas. O reforço da lei contra a violência de género, aprovado em 2004, foi uma das mais marcantes e que se traduziu no aumento de denúncias por maus-tratos. Foi também sob a alçada socialista que Espanha aprovou uma revisão da lei do aborto, agravou as penas por terrorismo, crimes sexuais e corrupção urbanística. Na memória dos espanhóis fica também a lei do "divórcio-express", o "cheque-bebé" (entretanto suspenso, devido à crise) e o apoio para os desempregados sem subsídio.

Outras das áreas que mais atenção mereceu no arranque do Governo Zapatero foi a da imigração, com um processo de regularização que permitiu legalizar 580 mil imigrantes. Muitos dos legais acabaram, anos depois e devido à crise, por voltar a casa, beneficiando de outra medida aprovada pelo Governo para estimular repatriações voluntárias.

Sondagem dá vitória ao PP

Segundo o jornal "El Periódico", numa sondagem publicada esta segunda-feira, o Partido Popular (PP), liderado por Mariano Rajoy, poderá conseguir a maior maioria absoluta de sempre, com mais de 46% dos votos, nas eleições do dia 20 de Novembro. Segundo a sondagem, da empresa GESOP, o PP obteria 46,1% dos votos - o que equivale a entre 185 e 189 deputados -, uma maioria absoluta maior do que a de 183 mandatos conseguidos pelo PP de José María Aznar em 2000.

O PSOE de Alfredo Peréz Rubalcaba ficaria pelos 31,4% dos votos, obtendo entre 121 e 125 deputados, um dos seus piores resultados de sempre.

Rajoy, líder do maior partido da Oposição e apontado como próximo chefe do Executivo espanhol pela sondagem do instituto Gesop, sempre criticou o seu Zapatero por ter reagido tarde demais à crise económica mundial.