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António Cunha: O digital não substitui "a casa" do território

António Cunha: O digital não substitui "a casa" do território

A digitalização é um processo de transformação da sociedade e aumentará a competitividade dos países, mas não substitui o território nem será, só por si, suficiente para eliminar as desigualdades sociais, disse António Cunha, presidente da CCDR-N. Tem, ao invés, que promover "coesão, territorial e social".

"Nenhum programa de desenvolvimento e inovação territorial será sustentável num contexto de desigualdades. A exclusão de pessoas ou territórios não pode ser um dano colateral do movimento da digitalização", afirmou o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), na conferência "Territórios em Transição" organizada em Gaia para celebrar o 133.º aniversário do Jornal de Notícias. E é um equívoco pensar que o físico deixará de ser útil, "como se o mundo pudesse viver numa cabeça de alfinete".

Por isso, digitalizar tem que significar "territorializar" ou "descentralizar" e tem que ser "adaptada às realidades humanas, económicas e geográficas", de forma a melhorar a qualidade de vida das pessoas e criar "oportunidades de vida mais justas e qualificadas".

Agora que a digitalização está a entrar na agenda política, afirmou, deve ser entendida como "uma chave-mestra" que "abre simultaneamente as portas comunicantes da competitividade e da coesão" - sabendo que a casa "é sempre o território".

Os "territórios digitais" não resolvem "os problemas de organização social, a falta de especialização ou a ausência de recursos qualificados". Nem "elide a absoluta necessidade de uma estratégia regional integrada", com "autonomia de planeamento, decisão e gestão, num modelo de governação próximo, inteligente e ágil".

Sem autonomia de decisão e gestão e sem uma afetação justa dos meios financeiros, acrescentou, o sucesso da região Norte poderá estar comprometido. Isso mesmo foi pedido pelo Conselho Regional do Norte: "um compromisso político inequívoco" que dê à região "condições justas para a implementação da sua Estratégia de Desenvolvimento Regional". E acrescentou: "A digitalização não pode legitimar novas formas de centralismo".

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