40.º Congresso do PSD

"Não são os eleitores que estão errados, somos nós", diz Montenegro

"Não são os eleitores que estão errados, somos nós", diz Montenegro

Luís Montenegro quer colocar o PSD a tentar perceber como é que um partido, como o PS, que provocou um "pântano", uma "bancarrota" e, agora, um "empobrecimento", ao fim de "27 anos de hegemonia" continua "a ganhar eleições". "Não são os eleitores que estão errados, somos nós!", afirmou o líder eleito do PSD, esta sexta-feira, na abertura do 40º congresso do partido, no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

"Nos últimos 27 anos, o PS governou 20", começou por apontar Luís Montenegro, para lamentar que, daqui a quatro anos, "será cada vez mais difícil recordar a década de desenvolvimento" dos governos de Aníbal Cavaco Silva, que terá trazido aos portugueses qualidade de vida através de investimentos públicos em áreas essenciais como infraestruturas educação, saúde, cultura, desporto, habitação.

"Nunca como naquele período houve um investimento tão forte que se repercutiu na qualidade de vida". vincou o líder eleito do PSD ,a propósito dos governos de Cavaco Silva que, recentemente, deu entrevista a elogiar as capacidades de Luís Montenegro para unir o partido e fez duras críticas a Rui Rio, que abandonou, esta sexta-feira, a liderança do PSD ao fim de quatro anos e meio.

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Para Luís Montenegro, a governação socialista fez precisamente o oposto de Cavaco Silva. Com António Guterres colocou o país na "pré-bancarrota", com José Sócrates "deixou a troika" e com António Costa o "empobrecimento".

"Portanto, um pântano, uma pré-bancarrota e agora um empobrecimento cada vez mais evidente", sintetizou Luís Montenegro, acrescentando, com dureza, um ataque na direção do atual primeiro-ministro: "Nestes 27 anos de hegemonia do PS, em três ciclos de governação, houve um totalista. António Costa esteve em todas. Não faltou nenhuma!".

Mas isso coloca perplexidade a Luís Montenegro. "Como é que, depois de um pântano, uma bancarrota e agora a irmos certinhos para a cauda da Europa, nem a normalidade está presente nos serviços públicos essenciais, baixos salários e pobreza, como é que um partido com este pecúlio continua a ganhar eleições?".

A perplexidade do líder eleito do PSD é também um desafio. É que, Luís Montenegro acredita que se o PSD não conseguir encontrar uma resposta para aquela pergunta não irá conseguir recuperar a confiança dos portugueses.

"Não são os eleitores que estão errados. Somos nós que não estamos a conseguir convencer os eleitores. Se o PSD não perceber isto, os eleitores continuam a não perceber o PSD" , concluiu Luís Montenegro, num discurso em que manifestou "respeito" pelo "percurso político de serviço a Portugal e dos portugueses" de Rui Rio e declarou "consideração e amizade" pelo seu adversário nas diretas. Jorge Moreira da Silva.

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