Pandemia

12 mil pessoas vão poder saber se já tiveram covid-19

12 mil pessoas vão poder saber se já tiveram covid-19

O Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM) avança, esta terça-feira, com o maior estudo serológico nacional feito até agora para avaliar a imunidade da população ao vírus SARS-CoV-2, seis meses após o início da pandemia e numa altura em que se antecipa uma fase crítica. Vão ser testados gratuitamente 12 mil voluntários de 102 municípios do continente e ilhas.

A amostra do "Painel Serológico Nacional Covid-19" foi definida por especialistas da Pordata e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa para ser representativa da população. Há vagas para 2200 crianças e jovens (menores de 18 anos), 5500 pessoas entre os 18 e os 54 anos e 4300 com 55 anos ou mais. O número é limitado pelo que "os interessados devem inscrever-se o mais rapidamente", avisa Bruno Silva Santos, coordenador do projeto e subdiretor do iMM.

As inscrições podem ser feitas a partir de hoje, através do website "Painel Serológico Nacional Covid-19" ou num dos 314 postos de colheita Germano de Sousa, empresa parceira deste projeto que é totalmente financiado pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos e Grupo Jerónimo Martins. Há ainda uma linha de apoio (808100062) para mais informações sobre o estudo. Os concelhos que vão ser estudados podem ser consultados na infografia ao lado.

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Inscrição gera código

Uma vez inscritos, os voluntários recebem um código no telemóvel com o qual devem dirigir-se ao posto de colheita mais próximo para fazerem a análise de sangue. O resultado é enviado aos participantes e os dados, confidenciais, são usados apenas para fins estatísticos, garante Bruno Silva Santos. O código perde validade ao fim de sete dias, para que "as vagas não fiquem bloqueadas" e possam ser todas preenchidas, acrescentou o investigador. O estudo vai prolongar-se até 7 de outubro e os resultados serão divulgados no final do mesmo mês.

Retrato para ajudar país

Em julho, o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge divulgou os resultados preliminares do estudo serológico nacional, realizado em maio com uma amostra de 2300 participantes, que apontaram uma prevalência da infeção de 2,9%. "Tivemos as férias, as pessoas estiveram mais expostas e estamos prestes a abrir as escolas, é um período crítico", frisou Bruno Silva Santos. O que se pretende é fazer um "RX" da epidemia para ajudar o país a equilibrar os esforços necessários à retoma social e económica com a proteção da vida.

Os resultados são "uma incógnita", mas tendo em conta alguns indicadores nacionais e estrangeiros, o coordenador do projeto acredita que a imunidade da população será inferior a 20%, muito longe da desejada imunidade de grupo que só será atingida quando cerca de 70% da população tiver desenvolvido anticorpos para o SARS-Cov-2.

O estudo do iMM terá continuidade para lá de outubro. Será escolhida uma subamostra para "seguir o status imunológico dos participantes durante um ano, com análises de três em três meses, para ver como está a evoluir a infeção no país", explicou o investigador. Os voluntários com testes positivos serão seguidos para apurar a durabilidade da resposta imunitária, uma dúvida que ainda não tem resposta científica.

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