Covid-19

13 de outubro em Fátima: "Não nos parece possível ter 55 mil pessoas no Santuário"

13 de outubro em Fátima: "Não nos parece possível ter 55 mil pessoas no Santuário"

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou esta quarta-feira que não "parece expectável que em situação de contingência seja possível ter 55 mil pessoas no Santuário de Fátima" para as celebrações do 13 de outubro.

"A taxa de letalidade global é agora de 2,9 e, para a população com mais de 70 anos, é de 14,3. A taxa de recuperados é neste momento de 67,9%", disse a ministra da Saúde, na habitual conferência de imprensa de atualização sobre a situação da pandemia em Portugal, acrescentando que há 28,6% de casos ativos e que estão hospitalizados 0,7% dos casos de covid-19.

A taxa de incidência nos últimos sete dias é de 39,7 casos por 100 mil habitantes. Nos últimos 14 dias, esta taxa é de 68 novos casos por 100 mil habitantes.

O RT para os dias 7 a 11 de setembro foi estimado em 1.15, com uma média de cerca de 623 casos por dia, acrescentou Marta Temido. O RT mais elevado foi registado no Alentejo (1.57) e o mais baixo no Algarve (1.1).

A ministra assinalou ainda que há neste momento 290 surtos ativos, 146 dos quais no Norte, 20 no Centro, 95 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 11 no Alentejo e 17 nos Açores.

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Relativamente ao 13 de outubro no Santuário de Fátima, "foi pedida uma audiência com o secretário-geral da Saúde, mas a DGS não sabe como surgiu o número de 55 mil pessoas", afirmou a diretora-geral da Saúde. "Não nos chegou nenhum pedido de parecer, não nos chegou nenhum plano de contingência, não nos chegou nenhuma planta do santuário. Não nos parece expectável que em situação de contingência seja possível ter 55 mil pessoas no Santuário. Aguardaremos poder colaborar e ajudar, mas será necessário um diálogo e negociações", adiantou, sublinhando que "é uma apreciação feita muito precocemente".

Sobre os falsos positivos, "está a ser investigado e tem a ver com resultados inconclusivos e tomam-se decisões", explicou Graça Freitas.

Em relação aos surtos no futebol, a diretora-geral da Saúde disse que haverá nas equipas "vários grupos", como o dos "positivos, que não poderão jogar, porque estão doentes", ou o dos "contactos, que estiveram próximos de infetados". "Estamos a falar de surtos. Dentro de uma equipa, que inclui equipa técnica, jogadores e pessoal, vamos ter pessoas divididas em vários grupos: os infetados, que não poderão jogar; outros que estão em isolamento profilático, porque foram contactos de alto risco; e o restante 'staff', que não foi contacto ou contacto de alto risco, continua a fazer a sua vida normal".

"Os meus colegas do Gil Vicente e do Sporting estão a fazer tudo para ver se há condições para que o jogo se realize. Se acontecer, será sempre um adiamento do jogo e nunca a paragem da I Liga. Os restantes jogos realizar-se-ão. É um tema complexo, dado o número elevado de infeções nas duas equipas", afirmou Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde lembrou que, "depois de o plano de retoma da época passada" ter sido delineado por DGS, Federação Portuguesa de Futebol, Liga de clubes e clubes", atualmente "as condições [para realização dos jogos] são avaliadas" pelas autoridades de saúde locais. "Agora que evoluímos para outro patamar, com atividade desportiva mais alargada, as condições são avaliadas pela autoridade de saúde local. No entanto, quando existirem dúvidas, a autoridade local de saúde pode sempre reunir com a autoridade regional e a regional poderá reunir com a nacional", referiu a responsável.

Acerca do isolamento profilático, Graça Freitas admite que a DGS está a estudar a possibilidade de diminuir o período de 14 para dez dias, que "são mais ou menos consensuais". "Parece que começa a haver algum consenso à volta do 10.º dia, sobretudo para os doentes, que seria uma ótima notícia", assumiu, garantindo que "é uma situação" que a DGS está a "acompanhar", mas com cautela. "Temos de ser muito cuidadosos, porque se libertamos as pessoas antes, também estamos a aumentar um bocado o risco", assumiu, falando em "decisões complexas".

Quanto aos casos de infeção nas escolas, Graça Freitas assume que têm sido registados casos isolados, mesmo antes de ser iniciado o ano letivo, mas que "isso está dentro do expexctável". "Há casos na comunidade educativa, mas são os casos que estaríamos à espera. Neste momento não há nada de extraordinário a reportar".

Quanto aos eventos de massas, a diretora-geral da Saúde informou que está a ser criado "um novo grupo que fará um referencial" sobre esses eventos. "Estamos numa nova fase da pandemia e numa nova fase sazonal, faz todo o sentido que seja criado um novo referencial. Temos de emitir uma orientação diferente. Estamos a aproximar-nos do outono e do inverno e sabemos que isso pode ter algum impacto. O referencial será adaptado ao tipo de evento e ao número de pessoas", explicou Graça Freitas, acrescentando que não tem conhecimento de casos que estejam diretamente relacionados com este tipo de eventos.

"Já houve dois dias em setembro em que foi batido o recorde de testes. O dia com mais testes foi o 11 de setembro, com 21986 testes", informou a ministra da Saúde, lembrando que alguns desses possam ter sido "testes de repetição".

Relativamente aos hospitais de campanha, a ministra recordou que "houve até ao momento cerca de 700 unidades que funcionaram como estruturas de retaguarda". "Em termos de hospital de campanha, aquele que reuniu mais atividade foi o que funcionou na cidade do Porto e não foi necessário ativar outras estruturas que estavam disponíveis para o efeito. Essas estruturas ainda existem e o que decidimos foi que vão ser colocadas em prontidão", clarificou Marta Temido.

Portugal registou, nas últimas 24 horas, três mortes e 605 novos casos de infeção por covid-19. Ao todo, contam-se 65626 infetados e 1878 óbitos. Há mais 166 recuperados.

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