Educação

90% dos professores contra diretores decidirem entradas nos quadros

90% dos professores contra diretores decidirem entradas nos quadros

Quase 90% dos professores rejeitam as propostas do Governo de reforçar o recrutamento direto pelas escolas e de os docentes poderem vincular nos quadros de um agrupamento com base num perfil definido pelos diretores, revela um inquérito promovido pelo Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), divulgado esta segunda-feira, quando organizações e equipa ministerial se voltam a sentar à mesa negocial por causa da revisão do regime de concursos.

"É um diploma com enorme impacto na vida profissional e pessoal dos professores, que permite a aproximação à residência e, por isso, deve reunir consensos e não ir contra a opinião de 90% da classe. Seria comprar uma guerra com os professores", defende Júlia Azevedo. A presidente do SIPE admite, por isso, que se as negociações não terminarem em acordo os professores podem voltar a fazer este ano letivo. "Temos esperança de ser ouvidos mas está tudo em cima da mesa", assumiu ao JN.

De acordo com os resultados do questionário, a esmagadora maioria dos professores (89,3%) concordam com a revisão do modelo de concursos e com a intenção do ministro, João Costa, de reduzir a dimensão dos Quadros de Zona Pedagógica - proposta apoiada por 96,7% dos inquiridos.

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Bem menos consensual é a intenção do concurso interno para os professores de quadro, que atualmente se realiza de quatro em quatro, passar a ser feito num prazo mais dilatado. Mais de metade dos docentes (53,1%) defende que seja plurianual e que seja criada a possibilidade de ser anual para candidatura opcional.

O que é liminarmente rejeitado é a intenção de as escolas recrutarem um terço dos contratados e puderem escolher para os seus quadros professores de acordo com um perfil adequado aos seus projetos educativos: 88,4% rejeitam a possibilidade de vinculação direta escolhida pelos diretores e 87,2% o reforço da contratação direta. Quase 80% (79,4%) defendem a graduação profissional (ordenação dos docentes com base na média final de curso e tempo de serviço) como único critério de colocação.

O inquérito foi respondido por 5475 professores em quatro dias, revelou o SIPE.

Pedidos apoios à deslocação e reduções no IRS

Quase um quarto (23,9%) dos professores que responderam ao questionário estão colocados a mais de 50 quilómetros de casa. Mais de 20% garantem gastar entre 200 a 500 euros por mês em deslocações ou numa segunda habitação e outros 9% dizem ter uma despesa mensal de mais de 500 euros para ir dar aulas. A esmagadora maioria concorda, por isso, com a criação de apoios à deslocação (82,2%), apoios para o arrendamento (70,7%) ou a possibilidade de essas despesas serem deduzidas em sede de IRS (82,4%).

Hoje e amanhã realiza-se a segunda ronda negocial. O redimensionamento dos quadros de zona pedagógica é um dos temas destas reuniões. As duas federações (Fenprof e FNE) que reúne amanhã também já anunciaram a rejeição do reforço da contratação direta pelas escolas. A oposição a essa intenção foi um aliás um dos motivos para a greve de 2 de novembro.

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