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A "casinha de fadas" onde se vive em família

A "casinha de fadas" onde se vive em família

As pessoas incríveis, as aulas descontraídas, a disponibilidade e o espaço que é lindo!", diz, sem hesitar, Ana Rita Gonçalves. Deixou há um ano a EB 2,3 Dr. Carlos Pinto Ferreira, na Junqueira, em Vila do Conde. Não se espanta que a sua "escolinha" seja a 1.ª do país no ranking dos percursos diretos de sucesso. "É uma casinha de fadas!", assegura

Agostinho Serrão, o coordenador dos diretores de turma, que, por estes dias, se juntou a outros professores para gravar uma mensagem para os seus "meninos". Sim, porque ali, com a pandemia, a "família" uniu-se mais do que nunca.

No ranking de 2019, a Junqueira foi a 2.ª a nível nacional e a 1.ª pública. Este ano, subiu ao mais alto lugar do pódio: 69% dos alunos não chumbaram e tiveram positiva nos dois exames. Comparando alunos com notas semelhantes à entrada do ciclo (7.º ano) são mais 23% do que a média nacional.
"Venho muitas vezes para a escola com uma musiquinha no rádio e a cantar. Não há dinheiro que pague isso", frisa Agostinho Serrão, que ali chegou há cinco anos e encontrou "exatamente o que procurava no ensino".

A Junqueira, em meio rural, a oito quilómetros da cidade, é a melhor em seis escolas do concelho e até o presidente da República já foi ver "o fenómeno".
Logo à entrada, sobressai uma das características: o verde impecavelmente cuidado. Há corredores cheios de plantas, árvores de fruto em todo o recreio, flores, um aviário e uma horta. Todos ajudam a cuidar. A fruta é de quem quiser.

Ao longo do ano, não faltam atividades extracurriculares. Há clubes e um jornal. A campainha ali não toca e não há atrasos. Na cantina, professores, alunos e funcionários almoçam juntos. Partilham sucessos e problemas. Os pais são envolvidos no projeto. Nas assembleias de turma, dão-se nova ideias e discute-se o que está mal. E, sobretudo, "ninguém fica para trás". Na sala de estudo, docentes e alunos mais velhos ajudam os que têm mais dificuldades. Até março, tinha mais de 2100 visitas.

Quando a pandemia obrigou a fechar a escola, 120 dos 480 alunos não tinham acesso à Internet. "Unimo-nos. Professores, associação de pais, Junta de Freguesia. Há professores e pais a pagar dados a outros alunos. Muitos ajudaram com computadores e telemóveis. E, enquanto não se resolveu, levávamos-lhes os trabalhos a casa. Hoje, não temos um único aluno sem acesso às aulas online", explica José Garcia.

O subdiretor, assume, agora, o leme do barco que durante 22 anos teve José Henriques como timoneiro. O ranking é "só" uma consequência do trabalho feito.
Ana Rita saiu dali com média de 5. Agora, no 10.º ano, tem 19. De vez em quando, volta para "matar saudades". "Dizem-nos que os nossos alunos têm um comportamento extraordinário. São disciplinados e solidários. É isso que mais nos orgulha: criarmos bons cidadãos", frisa o subdiretor.

Na semana passada, os professores juntaram-se na escola vazia. Gravam uma música. Joaquim Bento, o professor de Educação Musical é o autor da letra. "Sair (Go Out)" foi enviado aos alunos e aos professores. Uns cantaram, outros tocaram instrumentos. Tudo gravado com telemóveis. Os vídeos foram tratados, compilados e enviados a todos. "Um miminho, uma mensagem de esperança, uma maneira de lhes dizer que, embora fisicamente longe, estamos e estaremos sempre aqui", remata.

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