Presidenciais

A estreia de Marcelo e os restantes candidatos junto "dos que não podem confinar"

A estreia de Marcelo e os restantes candidatos junto "dos que não podem confinar"

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente e recandidato, fez esta sexta-feira a sua primeira ação pública de campanha nas presidenciais, num dia em que outros candidatos andaram na rua junto de quem não pode confinar em tempo de pandemia.

No primeiro dia de confinamento geral para tentar travar a epidemia de covid-19, que fez um recorde de mortes nas últimas 24 horas (159) e mais de 10 mil infetados, cada candidato andou pela estrada ao seu ritmo e a puxar pelo seu tema, dos problemas do interior (João Ferreira) à crítica às medidas de apoio à economia anunciadas pelo Governo (Tiago Mayan Gonçalves).

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Afastado dos microfones dos jornalistas há vários dias, Marcelo, candidato apoiado pelo PSD e CDS, falou de tudo um pouco e respondeu às perguntas durante mais de 30 minutos durante a visita a uma mercearia social, em Lisboa, que ajuda a população em tempos de crise.

Defendeu uma campanha "pela positiva", e não pessoalizada, elogiou a adesão ao voto antecipado (mais de 246 mil pessoas), disse esperar que o confinamento não ultrapasse um mês e, fora dos temas de campanha, sem comentar "processos criminais em curso", considerou importante que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Parlamento queiram apurar a vigilância policial a dois jornalistas que investigavam o caso e-toupeira.

Quem saudou, com críticas à mistura, a entrada de Marcelo na campanha foi a socialista Ana Gomes, ao defender que o papel de "qualquer candidato, inclusivamente do incumbente, é sujeitar-se ao escrutínio" dos eleitores, e dizendo ter sido esse o exemplo de "anteriores presidentes, designadamente Mário Soares e Jorge Sampaio".

Em pleno confinamento geral, e apesar de atividade política estar excluída dessa obrigação, alguns dos candidatos justificaram por que estavam na rua em campanha.

Ana Gomes, a socialista que concorre com o apoio do PAN e do Livre, disse ser sua obrigação "estar junto dos portugueses, "tanto os que estão em casa a confinar, como dos que têm de trabalhar", durante uma visita a Matosinhos, onde esteve com presidente da Câmara, Luísa Salgueiro, do PS.

Mais a sul, em Coimbra, andou o comunista João Ferreira, que, de manhã cedo, avisou que "não chega bater palmas" aos profissionais de saúde e avisou que o Presidente "não pode poupar esforços" na proteção dos seus direitos laborais e na defesa do Serviço Nacional de Saúde.

Para horas mais tarde, já em Vila Real, Trás-os-Montes, criticou os "chavões" repetidos cada vez que o país "é confrontado com as consequências" das assimetrias no território, considerando que o Presidente "não se pode desviar" dessa realidade.

Em Lisboa, Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, voltou a acusou o Governo pela teimosia de só agora ter avançado com apoios devido à pandemia que rejeitou nas negociações orçamentais, admitindo como "muito provável" a necessidade de um orçamento retificativo.

E no dia em que dirigentes bloquistas - e Ana Gomes também - pintaram os lábios de vermelho nas redes sociais, em solidariedade com Marisa depois de André Ventura, do Chega, lhe ter lançado insultos, a própria comentou o assunto pela primeira vez: "O insulto que esse senhor fez às mulheres não diz nada sobre as mulheres, mas diz tudo sobre esse senhor. É só isso que tenho a dizer."

Pela capital andou também Mayan Gonçalves, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), que, no primeiro dia de confinamento geral, voltou a atacar as medidas de apoio à economia decretadas pelo Governo, que "não são suficientes" por serem "praticamente mais do mesmo".

"A fatura continua a ser paga pelos mesmos de sempre" e "a resposta aos pequenos empresários e aos cidadãos que estão confinados não está a ser dada", disse.

Vitorino Silva não saiu hoje da sua terra, Rans, Penafiel, mas fez uma viagem virtual até Vila Real para participar no "IV Fórum Valorização do Interior: Chavão ou Ação?", da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Tino de Rans socorreu-se do passado para alertar para o problema presente do envelhecimento de Trás-os-Montes, que considerou ser culpa "dos políticos" do "Terreiro do Paço" que "querem que o interior pare no tempo".

André Ventura regressa à campanha com um jantar/comício hoje à noite num hotel, em Viseu.

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