Polémica

"A Leonor é transexual. Ela existe. É a minha filha". O desabafo de uma mãe no Facebook

"A Leonor é transexual. Ela existe. É a minha filha". O desabafo de uma mãe no Facebook

O despacho sobre a aplicação da lei da identidade do género nas escolas foi publicado na passada sexta-feira, mas a polémica continua. Os pais defendem o diploma, mas também há quem o conteste. Numa carta aberta publicada no Facebook, a mãe de uma criança transexual desabafou e criticou o Estado, que "tem de fazer de conta que ela [a filha] não existe".

"Chamo-me Rita e sou mãe da Leonor. A Leonor é transexual. Ela existe. É a minha filha, por muito que, para si, ela seja uma 'minoria de estimação', para si um mero trocadilho com 'animal de estimação'", escreve a mãe, numa carta aberta partilhada na página de Facebook da AMPLOS (Associação de mães e pais pela liberdade de orientação sexual e identidade de género), à qual não pertence.

O desabafo é dirigido a Laurinda Alves, cronista que escreveu um texto publicado na terça-feira no site "Observador", intitulado "Minorias de estimação". Naquele artigo de opinião, defendeu que "no dia em que as casas de banho das escolas forem obrigatoriamente abertas a rapazes e raparigas de todas as idades, as agressões vão escalar e a 'pressão dos pares' poderá ser ainda mais perversa".

"A Laurinda Alves nem sonha, nem imagina o que vivem estas crianças e as suas famílias", afirmou Rita Alves, acusando a cronista de não saber "o que é ser mãe e ter um filho que logo aos três anos diz a chorar que não é menino, que não percebe porque insistimos em tratá-lo por menino".

"Ao contrário do que diz, havia e há legislação para as crianças deficientes e até houve uma escola onde a minha filha só encontrava privacidade na sala dos autistas. Digno, não é? Mas para si os autistas são uma minoria que vale a pena. A minha filha, para si, não merece a atenção do governo, que só peca por tardia", criticou.

Pais defendem despacho, Direita critica

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão, afirmou que "existe um alarmismo por desconhecimento do diploma" e lembrou que já há escolas que aplicam as medidas estabelecidas no diploma quando surgem situações relacionadas com a identidade de género de algum aluno.

O "respeito pela autonomia, privacidade e autodeterminação de crianças e jovens que realizem transições sociais de género" é um dos principais focos do despacho.

"Estas são situações que são perfeitamente diagnosticadas e por isso, tal como aconteceu com o 'bullying' ou com os maus-tratos, é preciso tratar estes casos com sigilo mas sem fechar os olhos a uma realidade que existe", defendeu Jorge Ascensão, lembrando que "não se pode impedir ninguém ao seu direito da privacidade e intimidade".

No entanto, há quem conteste o diploma. Um grupo de deputados do PSD e CDS considera que o Governo está a tentar impor uma "ideologia de género" no currículo escolar e por isso apresentaram ao Tribunal Constitucional um pedido de fiscalização sucessiva da lei da identidade de género.

O PSD criticou, esta quinta-feira, algumas medidas da lei, considerando que poderá potenciar "fenómenos de 'bullying' e violência escolar" e "em nada beneficiar o processo de aprendizagem", falando numa "agenda ideológica de esquerda radical".

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