Vacina covid-19

A sala onde se trava o "combate do século"

A sala onde se trava o "combate do século"

Distribuição da vacina é gerida a partir do Ministério da Saúde. Profissionais das Forças Armadas vacinados para a semana.

"Para nós é o combate do século, encaramo-lo como uma tarefa nacional. É a nossa população que está em causa e daremos tudo para a ajudar". É assim que o almirante Gouveia e Melo, do Núcleo de Planeamento do Estado-Maior-General das Forças Armadas, descreve o modo como os militares estão a encarar a luta contra a covid-19. Não fala em guerra, mas cita Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a II Guerra Mundial: também as Forças Armadas portuguesas darão "sangue, suor e lágrimas" pelo país.

Gouveia e Melo coordena a chamada sala de situação, que monitoriza a distribuição das vacinas contra a covid-19. Instalada no terceiro andar do Ministério da Saúde, em Lisboa, foi ontem visitada pelo ministro da Defesa, João Gomes Cravinho. A acompanhá-lo esteve Diogo Serras Lopes, secretário de Estado da Saúde.

Em tempos de pandemia, os corredores do Ministério tornam-se pequenos para tanta afluência mediática. Por esse motivo, só os repórteres de imagem acompanharam a visita do ministro.

Os restantes jornalistas esperaram, no rés do chão, que Gomes Cravinho regressasse e anunciasse a novidade: os 640 profissionais de saúde das Forças Armadas - divididos entre os Hospitais Militares de Lisboa, Porto e Centro de Apoio Militar, em Belém, começarão a ser vacinados "durante a próxima semana".

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O governante sublinhou que a sala de situação "permite corrigir e cruzar dados muito diferentes", considerando que tem sido ela a "responsável pelo sucesso destas primeiras duas semanas de vacinação". O espaço, conforme constatariam os jornalistas minutos depois, é composto por seis células, todas elas coordenadas com entidades como a Direção-Geral da Saúde (DGS), o Infarmed ou os vários hospitais do país.

Conflito PSP/GNR

Uma delas é a da logística, que decide o número de vacinas a alocar a cada centro de saúde e as rotas a percorrer pelas carrinhas de transporte. Outra, logo ao lado, é a da comunicação estratégica, que dialoga com os hospitais e presta apoio à produção de conteúdos.

A terceira célula está a cargo de dois militares do Núcleo de Apoio à Decisão do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Gouveia e Melo esclarece a razão de os militares estarem envolvidos no processo: "Trazemos formas de estar e operar em ambientes de incerteza, com elevado stress e complexidade".

A célula de segurança é composta por um elemento da PSP e outro da GNR, a de vacinação tem a função de se articular com a DGS e à de sistemas de informação cabe a uniformização do trabalho de todas elas. O secretário de Estado da Saúde também tem um lugar na sala, que ocupa para receber briefings e tomar decisões.

Gomes Cravinho considerou que o espaço oferece "uma excelente garantia" no combate à covid-19. Os jornalistas questionaram-no: o recente desentendimento entre a PSP e a GNR em Évora quanto ao transporte das vacinas não prova que houve já uma falha nas operações? Sobre isso, poucas palavras: o assunto "é do domínio da Administração Interna" e há um inquérito a decorrer.

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