Educação

Abandono escolar precoce cai para 6,5% no primeiro trimestre

Abandono escolar precoce cai para 6,5% no primeiro trimestre

Audição do ministro da Educação no Parlamento marcada pela ausência de respostas concretas sobre o plano para a recuperação das aprendizagens.

A taxa de abandono escolar precoce desceu de 8,9%, no primeiro trimestre de 2020, para 6,5% no mesmo período deste ano, revelou esta quarta-feira o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Educação, pedida pelo PCP. O governante atribuiu o mérito dos resultados aos professores, aos psicólogos, aos assistentes operacionais e ao trabalho das autarquias, e destacou o facto de a percentagem de abandono ser ainda mais baixa do que em 2020, ano em que já tinha atingido um mínimo histórico.

"Bravo aos professores e aos profissionais da educação". Ouvida no Parlamento, a 7 de maio, a presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Emília Brederode dos Santos, estimava em cerca de 20 mil o número de alunos que os professores não conseguiram contactar no primeiro confinamento, ocorrido entre março e junho de 2020. Crítica do ensino à distância, defendeu que os estudantes mais vulneráveis e com historial de insucesso devem ser prioritários na recuperação das aprendizagens.

Estudo da Nova

A forma como o próximo ano letivo está a ser preparado pelo Ministério da Educação, de modo a minimizar o impacto da pandemia, foi a principal preocupação manifestada pelos partidos da oposição. Porém, não foram dadas respostas concretas. "A recuperação de aprendizagens está a acontecer este ano", assegurou Tiago Brandão Rodrigues. "É importante recuperar as competências mais afetadas, poder diversificar as estratégias de ensino, investir no bem-estar emocional dos nossos trabalhadores e dos alunos, e reforçar meios e recursos", sublinhou.

Contudo, alertou para a necessidade de monitorizar e avaliar as medidas. O governante adiantou que está a ser ultimado um plano para a recuperação das aprendizagens, que decorre uma "reflexão profunda", e para o qual deram contributos inúmeros agentes educativos. Inês Ramires, secretária de Estado da Educação, anunciou que a Nova School of Business and Economics está a elaborar um estudo para "identificar as necessidades, dentro de cinco a dez anos". "É essencial para conhecermos a realidade e a adequarmos ao sistema de ensino."

Quanto à falta de atratividade da carreira docente, Tiago Brandão Rodrigues disse que esse diagnóstico está a ser feito, para que depois se possa atuar. "É uma questão nossa e do ensino superior", destacou. "Tudo faremos para dar condições para que todos os que queiram ser professores possam vir a sê-lo e para criar condições para que os professores se possam fixar."

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No final da audição, a deputada do PCP Ana Mesquita deu conta do seu desagrado pelas "respostas que ficaram por dar".

Indicador estatístico

O abandono escolar precoce é um indicador estatístico do Eurostat usado para medir a percentagem de jovens com mais de 18 anos sem o ensino secundário completo ou que não tenham frequentado um programa de formação.

Meta europeia

Segundo o INE, a taxa de abandono escolar precoce em 2020 foi de 8,9%, um mínimo histórico. Portugal ultrapassou assim a meta europeia com que se tinha comprometido: baixar este indicador para 10%.

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