Medicamentos

Programa Abem paga farmácia a pobres e poupa 15 milhões ao SNS

Programa Abem paga farmácia a pobres e poupa 15 milhões ao SNS

Entre maio de 2016 e junho de 2021, o Programa Abem - rede solidária do medicamento, da Associação Dignitude, ajudou mais de 22 mil pessoas carenciadas a comprar medicamentos nas farmácias. Deu-lhes mais saúde, qualidade de vida e evitou milhares de episódios de urgência e de internamentos por falta de cumprimento das terapêuticas prescritas pelos médicos.

Em cinco anos, foram poupados mais de 15 milhões de euros ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). E se o apoio chegasse às cerca de 864 mil pessoas que se estima que, todos os anos, deixam de comprar remédios por falta de dinheiro, a poupança potencial seria de 600 milhões de euros.

Os dados constam da avaliação de impacto social do Programa Abem, que é apresentada hoje, dia em que se assinala o sexto aniversário do projeto, cuja missão é aumentar o acesso da população mais carenciada à saúde e aos medicamentos. Será "um momento de reflexão", uma oportunidade para olhar para os números e perceber o custo-benefício de ajudar esta franja da população - com rendimentos a rondar os 250 euros -, a pagar a conta da farmácia.

A fraca adesão terapêutica - muito relacionada com carências económicas - não é um problema exclusivo de Portugal. Contribui para milhares de mortes prematuras todos os anos na Europa e para cerca de 125 mil milhões de euros de despesa evitável com hospitalizações, urgências e consultas, segundo dados da OCDE. Em Portugal, se todos os doentes conseguissem comprar todos os medicamentos que lhes são prescritos pelo médico, as poupanças no SNS ascenderiam a 600 milhões de euros por ano, refere o estudo da associação Dignitude.

"A falta de acesso ao medicamento não é percecionada como um problema social, tal como acontece com a falta de alimentos", realça, ao JN, Maria João Toscano, diretora-executiva da Associação Dignitude.

Difícil alargar a rede

O programa está presente em 57% dos concelhos do país (incluindo nos arquipélagos dos Açores e da Madeira) e a responsável reconhece que será difícil alargar a rede, sobretudo numa altura em que os rendimentos continuam muito baixos e o custo de vida está a disparar.

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"Não há capacidade financeira para ir muito mais além e este alerta tem de ser colocado", admite, considerando que o Estado deve apoiar estas pessoas.

O programa vive de donativos que servem para pagar aos beneficiários a parte não comparticipada dos medicamentos. Além da melhoria das condições de saúde, alcançada pelo cumprimento da terapêutica, há melhorias na qualidade de vida, porque os beneficiários deixam de ter necessidade de cortar noutras despesas. O cartão Abem, entregue a cada elemento do agregado para apresentar na farmácia, passa despercebido e ajuda a promover a inclusão e autonomia.

A avaliação realizada mostra que a percentagem dos beneficiários que nem sempre compram os medicamentos prescritos pelo médico passa de 61% para 5%, depois de terem o cartão. Com este cartão, cai de 85% para 14% o número de beneficiários que deixaram de pagar outras despesas para pagar a farmácia. "Sem o contributo da Dignitude, cerca de 6229 pessoas teriam de pedir dinheiro emprestado ou ajuda a familiares", conclui o estudo.

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