Nacional

Abstenção é sintoma de "desencanto" com partidos e "alternativas"

Abstenção é sintoma de "desencanto" com partidos e "alternativas"

A abstenção das eleições de domingo, de 41,1%, é sintoma de "desencanto" e de "desilusão", não só com os maiores partidos mas, também, com as "alternativas de governação", defendem politólogos contactados pela agência Lusa.

Marina Costa Lobo não tem dúvidas: "A abstenção resulta de um desencanto que é muito pronunciado com os partidos que existem e com as alternativas em termos de governação". Isto porque "há um programa da troika que já foi aprovado" e já se sabe "em larga medida o que vai ser o programa do Governo".

Já André Azevedo Alves entende que, se for considerado o "contexto político especialmente problemático, talvez fosse de esperar que a participação fosse maior e que a abstenção diminuísse". Para o professor de Ciência Política da Universidade de Aveiro, o facto de a abstenção se manter nos mesmos níveis [de 2009] sugere que há "uma fatia substancial do eleitorado que, mesmo nestas condições, não se sentiu motivada para votar em nenhum dos partidos".

André Freire, por seu lado, considera que "existiam factores contraditórios" que podiam ter aumentado a participação ou diminui-la. "As pessoas estão muito descontentes com a política, com os políticos e com os partidos e isso podia desmotivar e levar a mais abstenção e a mais voto em branco. Mas, por outro lado, estas eleições - sendo muito competitivas - também estimulavam maior participação porque o voto ganha relevo quando as eleições são renhidas", explica.

No ato eleitoral de domingo, 41,1% dos eleitores não exerceram o seu direito de voto. Nas últimas legislativas, a 27 de Setembro de 2007, a abstenção foi de 40,32%. Pedro Passos Coelho (PSD) venceu as eleições, com 38,63% dos votos, tendo José Sócrates (PS) arrecadado 28,05% dos votos, o que motivou a sua demissão do cargo de secretário-geral do partido.

Outras Notícias