Covid-19

Acabam o take-away e os saldos para que a escola fique aberta

Acabam o take-away e os saldos para que a escola fique aberta

Um fim de semana depois de medidas mais duras para travar uma terceira vaga sem fim à vista, o Governo emendou a mão e apertou as proibições. Três dias de pressão extrema nos hospitais e as críticas severas do presidente da República, da Oposição e de especialistas, levaram António Costa a pedir um "sobressalto cívico" aos portugueses.

Mantém as escolas abertas, mas aperta as restrições ao comércio, incluindo a proibição de saldos e takeaway nos centros comerciais e dá 48 horas às grandes empresas para nomear os trabalhadores presenciais. A ideia-chave - repetida por António Costa 11 vezes - é "proibição".

Quando foram conhecidas as medidas em vigor desde sexta-feira, multiplicaram-se as críticas de que as exceções eram tantas que se perderia o efeito prático do confinamento. Esta segunda-feira, António Costa respondeu: "Preocupem-se pouco com as exceções e concentrem-se nas regras: fiquem em casa, circulem só para o essencial". O essencial, disse, é o trabalho, a alimentação e sair de casa o mínimo indispensável para manter a "saúde mental". E estudar.

A escolas vão continuar abertas, apesar de vários peritos recomendarem o ensino à distância para os estudantes mais velhos. Acabar com as aulas presenciais, justificou o primeiro-ministro, seria um "custo irreversível para a vida". Na semana passada, o Governo prometeu à comunidade escolar que seria lançada uma campanha massiva de testagem para despistar infeções antes que se tornem em surtos.

Lista nominal de trabalhadores

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Se as escolas continuam abertas, os ATL deixam de fechar. O encerramento deixou muitos pais sem sítio onde deixar os filhos enquanto trabalham. Mas também o trabalho terá que mudar.

A informação dada pelas forças de segurança, setor dos transportes e movimentos dos telemóveis mostra que 70% dos portugueses ignoraram as regras em vigor desde sexta-feira. Na semana passada, António Costa disse que o teletrabalho "é mesmo obrigatório". Agora, reforça que só se pode circular com uma declaração da entidade patronal e dá 48 horas às empresas de serviços com mais de 250 pessoas para dar à Autoridade para as Condições no Trabalho uma lista com o nome dos trabalhadores cuja presença não dispensa.

O Governo quer as forças de segurança mais visíveis na rua. Fonte oficial do comando da GNR disse ao JN que o dispositivo será ajustado às medidas anunciadas: "Há novos horários, por exemplo, que vão obrigar a uma adaptação que será planeada nas próximas horas". E a PSP está preparada "para dar cumprimento a todas as decisões do Conselho de Ministros", disse fonte da direção nacional.

Apelo à "unidade nacional"

A presença nas ruas será dissuasora de movimentações não essenciais, espera o Governo. As lojas ficam proibidas de fazer saldos e todos os estabelecimentos têm de fechar às 20 horas, à semana, e às 13 horas no fim de semana e feriados - exceção para lojas de alimentação, que fecham às 17 horas. Ficam proibidos a venda ao postigo e os passeios na marginal e volta a proibição de circular entre concelhos ao fins de semana. A pressão sobre o Executivo agravou-se com Marcelo Rebelo de Sousa (enquanto candidato às presidenciais) a acusá-lo de não ter previsto a terceira vaga e Rui Rio a pedir um "confinamento a sério".

Questionado, António Costa respondeu não ser este o momento de "combate político-partidário", mas de "unidade nacional" e de responsabilidade individual no cumprimento das novas medidas. Falta saber quando entram em vigor.

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