Clima

Ação imediata pode limitar aumento da temperatura global a dois graus

Ação imediata pode limitar aumento da temperatura global a dois graus

Um grupo de investigadores prevê que, pela primeira vez, o mundo está em posição para limitar o aquecimento global abaixo dos dois graus centígrados (2 ºC) até 2100. Chamam a este estudo "um marco histórico", mas reforçam que, atualmente, os países têm de acelerar os seus esforços para manter o aumento da temperatura abaixo dos 1,5 ºC até 2030, classificando as medidas atuais como insuficientes.

O estudo, publicado na revista científica Nature, teve como base os novos compromissos climáticos submetidos por 153 países na cimeira climática COP26, que decorreu em Glasgow, Escócia, em novembro de 2021. Antes destes compromissos, era muito provável que, com o "pico da crise climática", a temperatura mundial excedesse os 2 ºC até 2050. Agora, e se os países cumprirem o que prometeram, é possível que o pico do aumento da temperatura seja na ordem dos 1,9 ºC.

Contudo, os mesmos investigadores alertam que este objetivo só pode ser alcançado se todos os países se comprometerem a cumprir os seus compromissos "a tempo e na sua totalidade". Christopher McGlade, chefe da Unidade de Distribuição Energética da Agência Internacional de Energia (IEA) e um dos autores do estudo, afirma que o novo limite é "uma boa notícia". "Demos passos largos desde o Acordo de Paris que foi assinado em 2015, mas o trabalho sério tem de começar agora."

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Além disto, não deixam de apontar a insuficiência das medidas atuais para 2030. Dentro do plano estabelecido para conter o aquecimento global abaixo dos 1,5 ºC até 2030, os atuais compromissos mundiais têm uma probabilidade inferior a 10% de cumprir essa meta. "O nosso estudo mostra claramente que é necessária mais ação nesta década. Caso contrário, vamos passar na meta dos 1,5 ºC", afirma Malte Meinhausen, professor na Universidade de Melbourne, Austrália, e coordenador do estudo.

O estudo utilizou os 153 novos compromissos climáticos na COP26 como uma das variáveis que permitiu gerar 1400 cenários alternativos para o que possa acontecer dentro dos próximos 78 anos. Uma estimativa que tem muitas incertezas relativamente à adaptação do planeta aos aumentos de temperatura, incluindo um cenário com 5% de hipótese da temperatura global subir 2,8 ºC.

O que os países devem fazer?

As conclusões do estudo determinam os "quatro grandes pilares" que os países devem atingir para chegar ao melhor cenário, que é o aumento de apenas 1,5 ºC até 2100. O primeiro, a existência de compromissos de longo prazo e objetivos que precisam de ser assentados em políticas e medidas da presente década.

Em segundo, os objetivos de redução de emissões nesta década têm de ser mais ambiciosos de forma a reduzir 45% das emissões até 2030 e abolir as emissões que não sejam de dióxido de carbono. Em terceiro, os países que não se comprometeram com "zero emissões" devem anunciar e implementar esses objetivos o mais depressa possível (com um apoio apropriado no caso de países com poucos recursos).

Por fim, países com objetivos de "zero emissões" devem acelerar o processo ou apontar para plena libertação de emissões de gases com efeito de estufa. O estudo termina referindo que quaisquer atrasos na reversão destas tendências, como abater o uso de combustíveis fósseis e aumentar o crescimento sustentável com medidas livres de dióxido de carbono, vão pôr esta meta fora de alcance.

O estudo foi levado a cabo por uma equipa de investigadores internacionais: Malte Meinshausen e Rebecca Burdon, da Universidade de Melbourne, na Austrália; Jared Lewis e Zebedee Nicholls, do Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados, na Áustria; Christopher McGlade e Laura Cozzi, da Agência Internacional de Energia (EIA), em França; Johannes Gütschow, do Instituto de Pesquisa do Impacto Climático de Potsdam, na Alemanha; e Bernd Hackmann, da ONU.

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