Sinistralidade

Acidentes com motas aumentaram 80% num ano

Acidentes com motas aumentaram 80% num ano

O número de motociclos e ciclomotores envolvidos em acidentes com vítimas aumentou 80% em janeiro, em comparação com o mesmo mês de 2019.

Os números da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) registam uma melhoria em todos os indicadores de sinistralidade, com exceção das motas. O aumento das vendas, registado no ano passado, é o único fator que ajuda a explicar o aumento da sinistralidade.

Comparativamente com janeiro de 2019, houve mais 452 motociclos e ciclomotores envolvidos em acidentes com feridos leves, graves e vítimas mortais. O número de 1016 motas acidentadas representa um aumento de 80,1% em relação às 564 envolvidas em acidentes com vítimas em 2019.

Para António Manuel Francisco, do Grupo Ação Motociclista, o aumento da sinistralidade envolvendo ciclomotores e motociclos está ligado à maior presença de veículos de duas rodas na estrada: "Tem a ver com o número de veículos a circular e tem a ver com o número de dias de sol". Ou seja, quanto maiores forem as vendas e os dias de sol, "mais motas vão andar na estrada e maior é a probabilidade de estarem envolvidas em acidentes", acrescenta.

No caso, uma análise ao relatório de vendas provisórias da Associação Automóvel de Portugal corrobora parte desta explicação. Em 2019, o número de motas vendidas registou um aumento de 4,4% em relação a 2018, o que se traduziu em mais 32 211 motociclos e ciclomotores nas estradas portuguesas, no ano passado. Na verdade, as motas de cilindrada acima dos 125 centímetros cúbicos foram as únicas a registar um aumento, mas este foi tão significativo que compensou a quebra nas vendas das restantes, de menor cilindrada [ver infografia].

No que toca à meteorologia, não existem dados que permitam perceber se houve mais dias de sol. O relatório climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera até refere que o mês de janeiro deste ano foi mais chuvoso que o do ano passado: média de 76 milímetros em 2020 contra a média 57,3 milímetros em 2019. Contudo, esta análise não tem em conta a região geográfica (há mais motas nos grandes centros urbanos) e é apenas uma média, que pode ser influenciada caso chova muito em poucos dias.

Menos mortes

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Quanto à sinistralidade global, envolvendo todos os tipos de veículos, a ANSR contabilizou 2943 acidentes com vítimas em janeiro, menos 14 do que em 2019. O número de vítimas mortais baixou de 48 para 31 e o número de feridos reduziu de 3695 para 3405, refletindo-se uma diminuição dos feridos leves e graves. Aliás, este janeiro foi o que teve menos vítimas, se comparados os meses de janeiro dos últimos cinco anos.

Para isto contribuiu a diminuição do número de automóveis ligeiros envolvidos em acidentes, que passou de 3690 para 3167 (menos 14,2 %) e a redução do número de veículos pesados acidentados, de 135 para 115 (menos 14,8%).

Inspeção continua na gaveta

As motas, triciclos e quadriciclos com cilindrada inferior a 250 centímetros cúbicos não estão obrigadas a inspeção periódica. A Associação Nacional de Centros de Inspeção Automóvel (ANCIA) defende que todos deviam ser inspecionados, mas os motociclistas têm-se manifestado reticentes à mudança da lei. Em 2018, o ministro Eduardo Cabrita manifestou interesse em mudar a lei, mas a inspeção para as cilindradas menores continua na gaveta.

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