O Jogo ao Vivo

Nacional

Acordo mostra que FMI não é "diabo à solta", diz Catroga

Acordo mostra que FMI não é "diabo à solta", diz Catroga

O economista Eduardo Catroga, que representou o PSD no processo de ajuda externa a Portugal, considerou esta quinta-feira que o programa acordado "representa uma nova esperança" e mostrou que o FMI não era nenhum "diabo à solta".

Em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Eduardo Catroga defendeu que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) chumbado em março pela oposição no Parlamento, o chamado PEC IV, só "influenciou negativamente" o programa de ajuda externa a Portugal.

Eduardo Catroga agradeceu à missão composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE), bem como aos partidos, PS, PSD e CDS-PP, e aos parceiros sociais ouvidos pela "troika" no processo de elaboração do programa de ajuda externa.

"Pela primeira vez, nós temos um verdadeiro PEC, isto é, um programa que é simultaneamente de estabilidade e de crescimento económico. Todos os outros PEC foram mancos, faltou sempre a variável crescimento económico", considerou.

Segundo o antigo ministro das Finanças, independentemente de algumas das suas medidas, "é um programa que representa uma nova esperança" e mostrou que, "afinal, o FMI não era aquele diabo à solta que iria prejudicar os portugueses".

O FMI "foi um parceiro que compreendeu -- aliás, como os outros -- as especificidades da economia portuguesa e que compreendeu -- como aliás, os outros parceiros -- toda a estratégia diferenciadora do PSD em relação à problemática da austeridade e, sobretudo, do crescimento económico", acrescentou.

"Este é um verdadeiro programa", reforçou o economista, observando que "a importância do PEC IV só existiu na tal mente que continua ainda a viver numa realidade virtual".

Eduardo Catroga relatou que quando se reuniu com o primeiro-ministro, José Sócrates, lhe disse que "o PEC IV era um aborto" e que, se tivesse sido aprovado, haveria "necessidade de um PEC V".

O representante do PSD no processo de ajuda externa a Portugal disse ainda que o PEC IV foi negociado com uma "missão clandestina" que esteve no país "em fevereiro, março" e que "a tal missão clandestina também contribuiu muito para esta crise política".

Questionado se poderá ser ministro das Finanças se o PSD formar Governo, Eduardo Catroga recusou falar de "cenários hipotéticos".