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Acordo nas pescas: "Voltamos a perder quotas"

Acordo nas pescas: "Voltamos a perder quotas"

O ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, realça os progressos biológicos e diz que foi possível minimizar os cortes propostos pela Comissão Europeia (CE).

Os pescadores não veem nenhuma vitória e dizem que não há peixe para tantos barcos. Depois de uma maratona negocial de dois dias, que terminou às 8 horas, já estão definidas as possibilidades de captura em águas do Atlântico e Mediterrâneo para 2022: sobe o carapau, o tamboril e o areeiro, descem a pescada e o linguado.

"A Comissão Europeia apresentou uma proposta que previa alguns decréscimos, que foram mitigados no respeito dos melhores pareceres científicos e dos três pilares da Política Comum das Pescas", disse, no final", Ricardo Serrão Santos, referindo-se às descidas nas possibilidades de captura nacionais da pescada, do linguado e do lagostim. Serrão Santos salientou ainda os aumentos no carapau e no tamboril e diz que os esforços para a sustentabilidade estão a dar frutos.

Os pescadores estão "desiludidos": "A pescada volta a cair (8% depois da queda de 5% em 2021) e o linguado também (5% depois de cair 20% em 2021). Aumentar o carapau? Nós não esgotamos a quota de carapau que temos!", frisou o presidente da Associação de Armadores de Pesca do Norte (AAPN).

Manuel Marques diz que, de queda em queda, ano após ano, cada vez é mais evidente que "a única maneira de compensar as perdas é abater à frota". "Todos os anos as quotas diminuem. Não há quotas para tantos barcos", sublinha, defendendo incentivos ao abate na frota polivalente para que o número de barcos se possa ajustar ao peixe que é possível capturar, com um "rendimento justo" para todos. Em Portugal, no final de 2020, estavam licenciados 3880 barcos e mais de 15 mil pescadores, dos quais 65,9% trabalham na pesca polivalente.

O dirigente explica que, ao longo do ano, acabada uma quota, a frota não pára e os pescadores viram-se para outro recurso, acabando por prejudicar outras espécies, levando a novos cortes.

No lagostim, as possibilidades de captura caíram 5%. A descer está ainda o atum patudo (-10%) e o atum voador (-20%), ambos do Atlântico Sul.

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No bacalhau, o cenário é mais animador: as capturas no âmbito da Organização de Pescas do Atlântico Noroeste (NAFO) caem 0,2%, mas na Noruega sobem 168%. Por definir estão as capturas do bacalhau no arquipélago de Svalbard, cujas negociações só terminarão em janeiro.

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