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Afegão acolhido em Portugal: "Tive muito medo de que me matassem e à minha família"

Afegão acolhido em Portugal: "Tive muito medo de que me matassem e à minha família"

Maestro da orquestra do Instituto Nacional de Música do Afeganistão e mais de uma centena de músicos foram acolhidos em Portugal há duas semanas. Estão em alojamentos temporários em Lisboa, Cascais e Loures.

Na noite do dia em que os talibãs tomaram o poder em Cabul, no Afeganistão, Mohammad Qambar Nawshad começou a compor uma música chamada "A World out of earth?" (Um mundo fora da Terra?), em casa, antes de fugir. Quatro meses depois é num pequeno quarto partilhado com seis familiares, em Cascais, que cria música e imagina a reabertura do Instituto Nacional de Música do Afeganistão (INMA) no qual é professor de percussão e maestro. É um dos 131 músicos, funcionários e familiares destes, desta escola de música, que aterraram em Lisboa há duas semanas.

Num país onde os talibãs proíbem a música em público e chamam promíscuas às mulheres apenas por tocarem ou cantarem, os artistas fugiram da capital afegã assim que conseguiram. Primeiro para o Catar, em outubro, e depois para Portugal em dezembro. Mohammad Qambar Nawshad já tinha fugido duas vezes. "A maioria das pessoas sabe quem sou e onde vivia pois aparecia na televisão. Um mês e meio antes de os talibãs entrarem na cidade compus duas músicas patrióticas afegãs. Por causa disso, quando tomaram o poder, tive muito medo de que me matassem a mim e à minha família e mudei de localização duas vezes", confidencia ao JN.

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