Vacina covid-19

"Agora tenho mais medo dos transportes do que de trabalhar no hospital"

"Agora tenho mais medo dos transportes do que de trabalhar no hospital"

A boa disposição de Fernando Nolasco, médico internista e nefrologista, de 68 anos, deu o mote para o arranque da operação de vacinação contra a covid-19 anos, que decorre este domingo no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Até final do dia, serão cerca de 800 profissionais de saúde a serem vacinados naquela unidade. Confiança na vacina e necessidade de manter a prevenção em alta foram as mensagens comuns.

Com muita tranquilidade, intercalada, aqui e ali, com um toque de ansiedade, por serem os primeiros a receberem a vacina contra a covid-19, os 800 profissionais de saúde que acorreram ao Hospital Curry Cabral, em Lisboa, deixaram perceber que este domingo é uma marca importante nas suas vidas, porque, a partir de agora, podem ir trabalhar para os respetivos hospitais mais protegidos.

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Médicos, enfermeiros, auxiliares e empregados de limpeza. Todos preencheram esta jornada inaugural de vacinação, com sentido de missão E foi de uma funcionária da limpeza do próprio Hospital Curry Cabral, que o JN recolheu um dos mais curiosos testemunhos.

"A partir de agora tenho mais medo dos transportes que utilizo diariamente do que de trabalhar no hospital ao lado dos doentes com covid", explicou Ana Paula Fonseca, que mora no Carregado, a 40 quilómetros de Lisboa. De pronto, confessa que não teve "nenhum receio" de tomar a vacina e que confia em pleno nos cientistas que a produziram.

"No início, ainda em fevereiro, quando começámos a ouvir falar da pandemia, tinha medo de ser infetada e de levar a doença para casa, passá-la aos meus filhos", acrescenta, explicando que, com o evoluir da situação, foi encarando o dia-a-dia com menos desconfiança.

E a confiança não varia consoante o grau de conhecimento científico. Vai de Ana Paula Fonseca ao professor Fernando Nolasco, coordenador da Área das Medicinas no Curry Cabral,. "A vacina ajuda a resolver o problema, dá-nos mais segurança, e uma capacidade que precisamos de ter para resolver a situação", sublinhou o médico internista e nefrologista, o primeiro a ser vacinado naquela unidade de saúde da capital.

Enquanto explica que a maior dificuldade da vacinação é "ouvir os jornalistas todos ao mesmo tempo" e, sempre em tom bem disposto, fazendo sorrir todos os presentes na sala, Fernando Nolasco cita Winston Churchill: "isto não é o fim, nem sequer o princípio do fim. Talvez seja o fim do princípio". E logo que acrescenta que, por isso, "é que é preciso manter os comportamentos preventivos".

Uma confiança e uma recomendação reforçadas por Pedro Soares Branco, diretor clínico do hospital. Sublinhando que todo o processo de combate à pandemia ainda vai levar muito tempo, o clínico destaca que é preciso manter as atitudes preventivas "até que haja um número significativo de pessoas imunizadas, de forma a que o vírus não tenha como se espalhar, porque não encontra o caminho para isso".

Sobre as reservas que algumas pessoas possam ter em receber a vacina, Pedro Soares Branco observa que "nenhum procedimento médico é absolutamente seguro", mas que estas vacinas foram "altamente estudadas", pelo que, reforça, "merecem toda a confiança".

Sobre a rapidez com que a vacina foi produzida, o diretor clínico do Curry Cabral faz uma comparação bélica. "Isso só foi possível, porque houve uma grande concentração de esforços e de dinheiro. Mas é um pouco como uma 'economia de guerra'. Durante uma guerra, compram-se mais barcos e mais aviões", referiu.

Ao longo do dia, os profissionais de saúde foram entrando e saindo da sala onde decorreu a vacinação, naquela unidade de saúde que integra o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, com toda a tranquilidade e deixando até elogios à forma como a operação foi montada. Às 17 horas, já tinham sido vacinadas 450 pessoas.

Ao entrarem, todos preencheram um pequeno questionário, e, depois de lhe ser medida a temperatura corporal, dirigiam-se à sala onde estavam instalados oito postos de vacinação. Depois de receberam a respetiva dose, ficavam cerca de 30 minutos no recobro para assegurar que não havia nenhuma reação adversa. E não houve, como o JN testemunhou.

Mais confiantes e descontraídos todos saíram com a indicação bem presente: "Dia 17 estamos cá para a segunda dose".

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