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Alívio e críticas à chegada de voo humanitário da TAP a Lisboa

Alívio e críticas à chegada de voo humanitário da TAP a Lisboa

Longe vão os tempos em que a azáfama de milhares de turistas e portugueses em viagem entupia o Aeroporto de Lisboa. Na manhã deste domingo, o número de jornalistas que esperavam o voo de repatriamento vindo do Brasil, somado ao de polícias e funcionários, superava o de passageiros a sair da porta de chegada. Às 8.12 horas, o esperado avião, vindo de São Paulo, aterrou em Portugal.

Ao todo, foram cerca de 300 pessoas a desembarcar no Aeroporto Humberto Delgado, a maioria brasileiros a viver em Portugal. O sentimento dominante era de alívio, mas quem teve de voar para São Paulo para fazer a ligação lamenta ter pago essa viagem do próprio bolso. Também houve quem tenha considerado o comportamento da tripulação da TAP demasiado intransigente.

Foi o caso de António Simões, que estava há dois meses no Brasil com a mulher e tinha regresso previsto para a semana passada. O maior reparo que este casal, na casa dos 60 anos, faz a todo o processo é a "pouca humanidade" da tripulação.

"Foram zelosos demais", diz António. "O limite de bagagem eram 23 quilos, nós tínhamos dois quilos e meio a mais e tivemos de refazer a mala. Não faz sentido num voo humanitário". O facto de o avião ter vindo com 300 pessoas também o deixou apreensivo, porque pensou que não seriam mais de 100.

O casal viajou de Natal, no nordeste do Brasil, para apanhar o voo da TAP em São Paulo. "Tivemos de pagar 300 e tal euros às nossas custas, mais o hotel", refere Maria Simões. Nenhum deles espera ser reembolsado.

Catarina Miranda, de 40 anos, está em processo de mudança para Portugal depois de seis anos a viver em Belém. Chegou ao Brasil a 24 de janeiro para trazer os dois cães que lá tinha deixado. A estadia era para ser curta, mas a suspensão dos voos para Portugal, cinco dias depois, fez com que tivesse acabado por durar um mês.

"A filha da família que estava com os cães descobriu que tinha leucemia. Os cães ficaram um bocado abandonados e e tive de os ir buscar", refere Catarina. Assume que viajar com eles foi "um problema acrescido" e que chegou a ponderar deixá-los no Brasil.

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Agora que está de regresso, esta portuguesa só quer matar saudades do filho, de 11 anos. "Nunca tinha passado mais de duas semanas sem ele", afirma.

Tripulação foi "um pouco fria"

Danilo Silva, brasileiro, foi o primeiro passageiro a assomar à porta de chegadas do aeroporto. Disse ser "muito bom voltar a casa" depois de um período no país natal a visitar o pai.

Danilo tinha previsto passar 15 dias no Brasil, mas acabou por ficar dois meses. Para embarcar no voo humanitário teve de preencher "vários formulários da DGS"; agora, tal como todos os outros passageiros, terá de cumprir 15 dias de quarentena.

"Faz um pouco de confusão porque já fiz um teste que deu negativo, mas também é uma segurança para a família que vive cá", sustenta.

Paula e Luís tinham ido a um encontro de pastores evangélicos no Brasil. O jovem casal brasileiro contava regressar a 29 de janeiro, dia em que os voos para Portugal foram suspensos. Ao fim de um mês de espera estão de volta, juntamente com o filho Joshua, de menos de dois anos.

O voo foi "tranquilo", dizem, embora a tripulação tenha sido "um pouco fria". "Foram menos céleres do que de outras vezes, estavam apreensivos. Mas não foi nada de muito grave e é normal nesta situação", refere Luís.

Lígia cruzou a porta pouco depois. Disse sentir "muito alívio" por regressar a Portugal, vinda do país que a viu nascer. Queria ter voltado "no início de janeiro" e acabou por gastar "cerca de 1000 euros" ao longo do mês em que esperou pelo voo.

Quando soube que iria embarcar chorou "de felicidade", e o mesmo aconteceu quando o avião aterrou: "O Brasil é a minha casa, mas Portugal é onde está a minha família e onde quero ficar".

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