Prevenção

Alta ao fim de dez dias ou 14 em isolamento "são coisas diferentes"

Alta ao fim de dez dias ou 14 em isolamento "são coisas diferentes"

Pode parecer injusto que quem tenha sido infetado com covid-19 retome a sua vida, no "novo normal", ao fim de dez dias, e que os seus contactos só o possam fazer após 14 dias em isolamento profilático. Mas, segundo o infeciologista Jaime Nina, "são coisas completamente diferentes".

As pessoas infetadas já passaram pelo período de incubação da doença "que se manifesta em quatro ou cinco dias", na maioria dos casos, após o contágio. Os contactos ainda têm de esperar alguns dias para a infeção se manifestar, e não foram testadas. A primeira assinala o fim da doença. A segunda é uma medida de prevenção.

Desde a semana passada que a Direção-Geral da Saúde, no seguimento das orientações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, no original), alterou a norma que estipulava os prazos para alta de covid-19. Quer para as pessoas que se encontram em casa, quer para os doentes internados [ler perguntas e respostas]. Consoante a gravidade, os doentes podem ter alta ao fim de 10 ou de 20 dias, dependendo da intensidade da infeção. E deixou de ser necessário ter um teste negativo para voltar ao ativo.

O que, de acordo com o especialista, médico no Hospital de Egas Moniz e professor na Universidade Nova de Lisboa, é justificado pelo facto de o teste poder ser positivo, por identificar fragmentos do SARS-CoV-2, mas que já não se podem replicar e consequentemente infetar outras pessoas.

Ou seja, os doentes tinham um novo teste positivo, e eram obrigados a permanecer mais dias em casa, sem necessidade. Além de poupar trabalho aos médicos, que veem reduzido o tempo que têm de monitorizar os doentes, prosseguiu Jaime Nina, também permite libertar camas hospitalares mais rapidamente, nas formas mais graves da infeção. E não é só em Portugal que este período foi reduzido. França, Bélgica e Espanha também já diminuíram o tempo necessário para dar alta aos infetados.

Menos dois dias em Itália

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No que diz respeito ao isolamento profilático (também conhecido por quarentena), de 14 dias, o especialista também admite a possibilidade deste período vir a ser menor. "A Itália já reduziu para 12 dias", explicou, sublinhando que há já vários estudos a demonstrar que uma redução deste período não provoca um aumento significativo no número de novas infeções.

Declaração médica substitui teste para voltar ao ativo

O regresso à escola ou ao trabalho deixa de ter como condição a obtenção de um teste negativo à covid-19. Mesmo as pessoas que não cumpram os critérios para ter alta ao fim de dez dias, e precisem de mais tempo para recuperar, podem ter alta clínica através da declaração do médico. Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, assegurou que o teste negativo deixa de ser requisito.

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